Cover pic

O QUE É O CRISTIANISMO?

Joel Stephen Williams, Ph.D.

      Ide a todo o mundo e proclamai (keruxate) as boas novas para toda criação "(Mc 16.15).

      Projeto Alcance
      São José dos Campos, SP
      Brasil

      "Agradou a Deus salvar aqueles que crêem
      por meio da loucura da pregação (kerugmatos)" (1 Cor. 1.21).

      "Nós, porém, pregamos (kerussomen)
      a Cristo crucificado" (1 Cor. 1.23).

      "Pois não pregamos (kerussomen) a nós mesmos,
      mas a Jesus Cristo, o Senhor" (2 Cor. 4.5).

      Copyright © 2004, Projeto Alcance. Todos os direitos reservados.

      Primeira impressão, julho de 2004

      Projeto Alcance

      Caixa Postal 11

      São José dos Campos, SP

      12201-970 — Brazil

      Telefone: (12) 3942-7753

      Email: simples@alcanceweb.com

      Website: www.alcanceweb.com

      First Draft: Please note that the following translation is only a first draft, done in part by a very busy missionary. Many corrections and much proofreading are planned before the work goes to press. Also, there are occasional formatting problems in the full document conversion to html.

      Todas as citações bíblicas são da Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional, copyright © 1993, 2000, pela International Bible Society.

      Se você confessa sua fé em Cristo e é batizado nele, a parte do resultado é ler este livro, por favor escreva para o autor no endereço acima e encoraje-o contando sua conversão para Cristo.

      SUMÁRIO

      O que é o cristianismo? 5

      A Necessidade para Salvação 7

      O Salvador do Céu 11

      O Nascimento de Cristo 13

      A Vida de Cristo 15

      Os Ensinamentos de Cristo 18

      A Purificação de Jesus Cristo 21

      A Expiação 23

      A Ressurreição de Cristo 28

      Salvação com Graça 31

      Fé 34

    1. Abreviaturas
    2. Algumas Escrituras do Velho Testamento

      Gn Gênesis Is Isaías

      Dt Deuteronômio Jr Jeremias

      Sl Salmos Ez Ezequiel

      As Escrituras do Novo Testamento

      Mt Mateus 1Tm 1 Timoteo

      Mc Marcos 2Tm 2 Timóteo

      Lc Lucas Tt Tito

      Jo João Fm Filemon

      At Atos Hb Hebreus

      Rm Romanos Tg Tiago

      1Co 1 Coríntios 1Pe 1 Pedro

      2Co 2 Coríntios 2Pe 2 Pedro

      Gl Gálatas 1Jo 1 João

      Ef Eclesiásticos 2Jo 2 João

      Fp Filipenses 3Jo 3 João

      Cl Colossenses Jd Judas

      1Ts 1 Tessalonicenses Ap Apocalipse

      2Ts 2 Tessalonicenses

      O leitor está encorajado a obter ou um Novo Testamento ou uma Bíblia completa e a ler todas as referências das Escrituras que foram feitas neste livro. Além da Bíblia, a única fonte que será citada será um dicionário grego, uma vez que o Novo Testamento foi escrito originalmente em grego: A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature [Um léxico grego-inglês do Novo Testamento e outra literatura cristã recente], por Walter Bauer, traduzida e editada por William F. Arndt, F. Wilbur Gingrich, e Frederick W. Danker (Chicago: Universidade de Chicago Press, 1979). Este trabalho será abreviado BAGD.

    3. O que é o cristianismo?
    4. O que é o cristianismo? O propósito deste livro é explicar o cristianismo a você em termos simples, mostrando-lhe como se tornar um cristão, e resumindo o que você tem que acreditar e como deveria agir como um cristão. O cristianismo que você lerá nas páginas seguintes é aquele conhecido e praticado na idade apostólica do primeiro século. Uma tentativa real será feita para documentar com precisão, das Escrituras Sagradas, todas as reivindicações feitas acerca do cristianismo. O que segue é uma tentativa de apresentar a você o cristianismo sem as tradições acrescentadas por homens e mulheres nos últimos 2000 anos. Embora a maioria dessas tradições recentes seja inocente, algumas são errôneas e deveriam ser evitadas.

      Muitas pessoas hoje estão confusas sobre o que é o cristianismo realmente, porque elas o associam a tradições que omitem a verdade. Talvez você tenha sido preconceituoso contra o cristianismo no passado, porque fora desviado do caminho por uma forma inadequada, numa igreja ou nas vidas individuais de alguns indivíduos que se chamam de cristãos. Se isso é verdade para você, por favor, leia este livro e julgue o cristianismo pelo ideal do que deve ser, e não como uma tentativa defeituosa de algumas pessoas que se dizem cristãs. Julgue o cristianismo pelo modelo dado a nós no Novo Testamento de como os cristãos e as igrejas devem ser. Aqueles que declaram ser cristãos podem não viver, adorar ou ensinar como deveriam por uma série de razões. Talvez sejam ignorantes de toda a verdade. Talvez tenham sido enganados com ensinamentos falsos. Talvez sejam hipócritas. Provavelmente, são sinceros, mas cometeram alguns erros como todos os humanos fazem. Por favor, não rejeite o cristianismo por causa do fracasso de alguém que reivindica ser um cristão. Julgue o cristianismo em termos de Jesus Cristo. Você descobrirá que Jesus Cristo, o autor e fundador da religião cristã, de qualquer modo não o decepcionará. Enquanto os seus seguidores cometem erros, ele não tem erro.

    5. A necessidade de salvação
    6. O cristianismo é a religião daqueles que são chamados "cristãos" (At 11.26; 26.28; 1Pe 4.16). Um cristão é simplesmente um seguidor de Jesus de Nazaré, que é chamado o Cristo ou o Messias por aqueles que acreditam nele. Por que alguém deveria ser cristão? A resposta a essa pergunta é que nós precisamos de salvação dos nossos pecados. A fim de entender nossa necessidade da salvação dos pecados, vejamos primeiro o que significa ser pessoa humana que é responsável ante de Deus.

      Todos os seres humanos são mais que meras criaturas físicas como os animais. Temos algo dentro de nós que é chamado de "espirito" ou "alma", que significa que somos criaturas espirituais (At 7.59; 1Co 2.11; 1Ts 5.23; Tg 2.26). No princípio Deus criou tudo (Gn 1.1), mas ele criou o homem "à sua imagem" (Gn 1.26-27; Cl 3.10; Tg 3.9). Isso significa que Deus nos deu a capacidade de pensar e raciocinar. Temos a capacidade de compreender coisas espirituais e acreditar em um ser supremo que chamamos "Deus". Somos capazes de saber o certo e o errado, sentir culpa, bem como entender aquelas coisas que são honrosas e nobres. Somos capazes de sentir uma sensação de temor quando meditamos a grandeza de Deus. Temos a capacidade de adorar e em todos os lugares do mundo, entre todas as raças e classes de pessoas, é universal o impulso de buscar um ser superior em adoração. Somos capazes de viver uma vida mais nobre em imitação da santidade perfeita de Deus (Mt 5.48; Ec 4.21-23; 1Pe 1.14-16).

      Quando o apóstolo Paulo estava pregando em Atenas, na Grécia, ele comendou os atenienses por serem "muitos religiosos" (At 17.22). Eles tinham altares e objetos para adorar muitos deuses diferentes. Para terem certeza de que não tinham esquecido de qualquer deus, tinham construído um altar "Ao Deus desconhecido" (At 17.23). Paulo, então, informou aos atenienses sobre o único e verdadeiro Deus:

      "O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há é o Senhor do céu e da terra, e não habita em santuários feitos por mãos humanas. Ele não é servido por mãos de homens, como se necessitasse de algo, porque ele mesmo dá a todos a vida, o fôlego e as demais coisas. De um só fez ele todos os povos, para que povoassem toda a terra, tendo determinado os tempos anteriormente estabelecidos e os lugares exatos em que deveriam habitar. Deus fez isso para que os homens o buscassem e talvez, tateando, pudessem encontrá-lo, embora não esteja longe de cada um de nós. ‘Pois nele vivemos, nos movemos e existimos’, como disseram alguns dos poetas de vocês: ‘Também somos descendência dele’ (At 17.24-28).

      Considerando que Deus é nosso criador, somos responsáveis perante ele (Is 43.7; Ap 4.11). Paulo falou aos atenienses que eles seriam julgados por Deus um dia: "No passado Deus não levou em conta essa ignorância, mas agora ordena que todos, em todo lugar, se arrependam" (At 17:30). Considerando que Deus colocou dentro de nós a capacidade de raciocinar e distinguir entre o bem e o mal, somos responsáveis perante ele. Paulo falou das pessoas que não tiveram nenhum mandamento de Deus; contudo, eles souberam "naturalmente o que a lei ordena" (Rm 2.14). Porque podemos discernir que Deus existe (Sl 19.1-6; Rm 1.19-20), e porque podemos saber entre o bem e o mal, temos que dar conta de nossos pensamentos, nossas ações e nossas vidas perante Deus (At 10.42; Rm 2.16; 1Co 4.5).

      A triste realidade é que todas as pessoas que amadureceram e vieram saber a diferença entre o bom e mau já pecaram. O pecado é tudo o que está contrário à vontade de Deus. É "rebeldia" (1Jo 3.4). "Toda injustiça é pecado" (1Jo 5.17). O bem e o mal não são determinados arbitrariamente por Deus. Pelo contrário, tudo que é semelhante a Deus é certo e tudo que é dessemelhante a Deus é errado. Deus é amor. Então, ser desamoroso é pecado (1Jo 4.8, 16). A honestidade é correta, porque Deus nunca mente (Tt 1.2). Há muitas listas com vários tipos de pecado no Novo Testamento, que nos ajudam a entender o que o pecado envolve. Em Romanos, Paulo escreveu sobre os pecadores:

      Tornaram-se cheios de toda sorte de injustiça, maldade, ganância e depravação. Estão cheios de inveja, homicídio, rivalidades, engano e malícia. São bisbilhoteiros, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, arrogantes e presunçosos; inventam maneiras de praticar o mal; desobedecem a seus pais; são insensatos, desleais, sem amor pela família, implacáveis (Rm 1.29-31).

      Paulo também lista algumas "obras da carne" ou pecados comuns: "moralidade sexual, impureza e lascívia; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes" (Gl 5.19-21). Paulo enumera alguns exemplos daqueles que não herdarão um lar no céu, a menos que se arrependam e busquem a salvação: "nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus" (1Co 6.9-10; cf. Cl 3.5-10; 1Tm 1.9-11; 2Tm 3.2-5; Tg 3.14-16; 1Pe 2.1-2).

      Não podemos culpar os outros por nossos pecados. Nós pecamos porque cedemos à tentação (Tg 1.12-15). Embora Adão e Eva trouxessem o pecado ao mundo, nós nunca fomos forçados a pecar. Nós pecamos porque seguimos os exemplos de outros e porque desejamos fazer o que é mau. Foi assim que o pecado se espalhou por toda a humanidade (Rm 5.12). Da mesma maneira que todos os que seguem Cristo serão salvos, igualmente todos que imitam Adão e o seguem no caminho do pecado estão perdidos (Rm 5.15-21). Algumas pessoas ensinam erroneamente que herdamos a natureza pecaminosa de Adão, e que somos todos culpados do pecado a partir do momento em que nascemos. A Bíblia ensina diferentemente. Cada pessoa é individualmente responsável perante Deus. As crianças não serão condenadas como culpadas pelos pecados de seus pais ou pelos pecados de Adão. Igualmente, os pais não serão condenados por Deus pelos pecados de seus filhos (Jr 31.29-30; Ez 18.1-20). Cada um de nós é, individualmente, responsável perante Deus.

      Porque somos pecadores e porque Deus é um Deus santo e perfeito, estamos separados dele (Is 59.1-2). Adão e Eva foram expulsos do jardim do Éden depois que pecaram (Gn 3.1-24). Igualmente, Deus nos julga quando somos culpados do pecado. Todos são culpados do pecado perante Deus, até mesmo as pessoas religiosas (Rm 3.9). Não há ninguém justo, nem sequer um (Rm 3.10). "Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus" (Rm 3.23; cf. 1Jo 1.8-10). O pagamento que todos merecemos pelos nossos pecados é a morte: "o salário do pecado é a morte" (Rm 6.23; cf. Gl 6.7-8). Nisto encontramos nossa grande necessidade de salvação. Estamos perdidos, porque somos pecadores. Estamos impossibilitados de nos salvar. Somos impotentes (Rm 5.6). Se fizermos muito esforço, poderíamos pecar um pouco menos no futuro, mas ainda pecaremos. Além disso, estamos impossibilitados de pagar os pecados que já cometemos. Precisamos de salvação desesperadamente. Precisamos de um salvador!

    7. O Salvador do céu
    8. Imagine um homem preso no fundo de um buraco profundo. Ele está impossibilitado de sair dele. Ele precisa de ajuda de fora ou de cima. Precisa que alguém lhe jogue uma corda ou uma escada de mão. Ele precisa de um salvador. A humanidade estava na mesma situação por causa de nossos pecados. Precisávamos de ajuda do céu, e nosso grande Deus nos proporcionou um salvador. Há um único Deus (Dt 6.4; Mc 12.29, 32; 1Co 8.4, 6; Ef 6.6; Tg 2.19), mas este Deus é conhecido por nós de três modos: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mt 28.19; 2Co 13.14; Jo 15.26). Chamar Deus de "Pai" não quer dizer que Deus esteja casado ou que ele e uma esposa divina tivessem um filho. "O Pai" nos fala que Deus é como um pai enquanto nos guarda e nós cuida (Mt 6.9; 7.9-11). Jesus Cristo não é chamado o "Filho de Deus" porque Deus e uma esposa divina deram à luz Jesus, ou porque o Pai é mais velho que o Filho. Ele é chamado o "Filho de Deus" porque ele era submisso na sua relação para com Deus Pai, como qualquer filho deveria ser submisso ao pai dele (Jo 4.34; 5.30; 6.38). O Pai, o Filho e o Espírito Santo são todos eternos e são todos divinos. Eles são Deus, não humanos.

      Isso significa que nosso Salvador Jesus Cristo não começou a sua vida ou existência quando nasceu neste mundo. Ele já tinha vivido muito tempo antes de Abraão (Jo 8.58). Ele estava vivo antes do mundo ser criado (Jo 1.3; Cl 1.15-16; Hb 1.2). Isso é comumente chamado da pre-existência de Cristo (Jo 3.13; 8.23; 17.5, 24; 18.37). Nosso Salvador Jesus Cristo é eterno. Ele sempre existiu e existirá (Ap 1.8, 17; 21.6; 22.13; Jo 1.1; Hb 13.8). Embora ele estivesse no céu onde multidões de anjos poderiam ter-lhe servido, ele veio voluntariamente para a terra para ser nosso salvador (2Co 8.9). Paulo explica as maravilhosas e boas notícias que fazem a história do cristianismo tão sem igual:

      Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, o qual, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens (Fp 2.5-7).

      A humanidade pecaminosa precisa de um salvador. Em vez de nos pedir o impossível, isto é, que paguemos pelos nossos próprios pecados, Deus enviou seu único Filho ao mundo para resolver por nós o problema do pecado (Jo 3.16). E é por isso que a mensagem cristã é chamada de "evangelho" (Mt 1.1; 16.15; Rm 1.16; Ef 1.13; 1Tm 1.11). A palavra "evangelho" significa "boas novas" (BAGD, 317-18). São boas novas que nossa situação não é desesperadora. Deus nos enviou um salvador para nos salvar de nossos pecados. A salvação veio do céu na pessoa do Filho de Deus, Jesus Cristo.

    9. O nascimento de Cristo
    10. Para que o Filho de Deus seja nosso salvador, Deus fez com que ocorresse um nascimento muito especial e miraculoso. Deus escolheu um bom homem judeu, José, e uma boa mulher judia, Maria, para serem os pais dessa criança especial. José e Maria eram desposados, que quer dizer que eram prometidos um ao outro e eram considerados marido e esposa, sem terem começado a viver juntos e sem terem consumado o matrimônio deles com relações sexuais (Mt 1.18-25). Maria ainda era uma virgem (Lc 1.26-34). Deus criou o menino Jesus miraculosamente no ventre de Maria pelo Espírito Santo (Mt 1.20; Lc 1.35). Desse modo, Jesus teve uma mãe humana, mas Deus era o seu pai (Gl 4.4; Rm 1.3; Lc 1.35). Isso é o que normalmente chamamos o "nascimento virginal" de Cristo.

      O termo mais freqüentemente usado para descrever esse processo é "encarnação". Este termo quer dizer que o Filho de Deus se tornou um ser humano. O apóstolo João usou o título "a Palavra" para Jesus ao descrever a encarnação: "No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus. Ela estava com Deus no princípio. ... A Palavra tornou-se carne e viveu entre nós" (Jo 1.1, 14; Rm 8.3; 1Tm 3.16; 1Jo 4.2; 2Jn 7). Para se tornar nosso salvador de modo completo, Cristo se tornou um de nós (Hb 2.14, 17).

      Jesus Cristo é incomparável de muitas formas, e suas duas naturezas, a humana e a divina, combinaram-se em um ser muito importante. Enquanto ele estava neste mundo, Jesus Cristo era, de fato, um ser humano. Ele descendeu e nasceu de seres humanos (Mt 1.1-17; Rm 1.3; 9.5). Passou pelo processo normal de crescimento e por toda a experiência humana. Ele era um bebê pequeno que cresceu até chegar a maioridade (Lc 2.40). Ele sentiu as necessidades físicas humanas normais por comida, água e descanso. Teve até mesmo a necessidade de orar (Mt 4.2; 8.24; 14.23; Jo 4.5-7; 19.28). Como ser humano Jesus sentia emoções, como alegria, tristeza, ira, amor e compaixão (Mt 9.36; 26.37; Mc 3.5; 10.21; Lc 10.21; Jo 12.27; 15.11). Jesus até mesmo chorou (Jo 11.35) e foi tentado (Mt 4.1-11; Lc 4.1-13; Hb 4.15). Jesus sentiu a dor física e a experiência da morte como um humano (1Pe 3.18; 4: 1). Sim, Jesus era muito humano.

      Porém, ao mesmo tempo Jesus foi mesmo divino (Jo 10.30). Ele não era chamado apenas o "Senhor" e "Filho de Deus", que são usados como títulos divinos (Jo 10.25-33; Lc 2.11; Ap 4.8-11; 19.16), mas também ele era chamado até mesmo "Deus" (Jo 1.1; 20.28; e talvez Rm 9.5; Tt 2.13; Hb 1.8; 2Pd 1.1). Embora Jesus Cristo não usasse todos os poderes associados a Deus, ele possuía plenamente a Deidade ou Divindade (Cl 1.15, 19; 2.9). Jesus Cristo era o Deus-homem. Ele era ao mesmo tempo Deus e homem. Quando tintas negra e branca estão misturadas, o resultado é algo meio uma tinta cinzenta. Mas Jesus Cristo não era algo entre Deus e homem. Ele não era um anjo. Ele era ao mesmo tempo Deus e homem.

      Por ser Jesus Cristo ao mesmo tempo Deus e homem, ele é o salvador perfeito. Ele pode representar perfeitamente ou pode mediar para ambas as partes na aliança entre Deus e homem (1 Tm 2.5-6).

      Como humano ele pôde pagar a dívida de nossos pecados. Como Deus foi um sacrifício perfeito e digno para pagar nossos pecados. Estudaremos esse conceito adiante e discutiremos a expiação, mas é importante saber que tudo fazia parte do plano de Deus desde a criação do mundo (1Pe 1.20). Considerando que Jesus Cristo era ao mesmo tempo Deus e homem, ele entrou no mundo por meio de um nascimento sem igual com uma mãe humana e um Pai divino. Nosso salvador veio do céu e aquele salvador era o Filho de Deus. Como os pastores foram avisados: "Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador que é o Cristo, o Senhor" (Lc 2.11).

    11. A vida de Cristo

Se você não sabe muito sobre a vida de Cristo, você deveria ler os quatro evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Estes quatro documentos narram o nascimento de Jesus (Mt 1.1–2.12; Lc 1.26–2.20) e um incidente quando ele teve doze anos (Lc 2.41-52), mas a ênfase deles está nos últimos três ou quatro anos de vida de Jesus, período esse que abrange o seu ministério público. A partir dos 30 anos, Jesus pregou e ensinou as pessoas sobre a vontade de Deus. Ele atraiu muitos discípulos, e escolheu seguidores especiais, chamados de "apóstolos" que iriam proclamar a sua mensagem depois da sua partida do mundo.

Jesus realizou muitos milagres que são evidências de que Deus aprovou o que ele dizia e fazia (Jo 2.11; 5.36; 10.25, 37-38; 14.11; Lc 7.20-22; Mt 9.1-8; Hb 2.4). Somente alguns poucos dos milagres de Jesus foram narrados nos quatro Evangelhos, mas eles são "escritos para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e, crendo, tenham vida em seu nome" (Jo 20.30-31). O que segue é uma lista dos milagres de Jesus nos quatro Evangelhos:

  1. A mudança de água em vinho (Jo 2.1-11)
  2. A cura do filho de um oficial militar (Jo 4.46-54)
  3. Cura de um homem na sinagoga (Mc 1.23-26; Lc 4.33-35)
  4. Cura da sogra de Pedro (Mt 8.14-15; Mc 1.30-31; Lc 4.38-39)
  5. Primeira grande pescada de peixe (Lc 5.1-1 1)
  6. Cura de um leproso (Mt 8.2-4; Mc 1.40-42; Lc 5.12-13)
  7. Cura de um paralítico (Mt 9.2-7; Mc 2.3-12; Lc 5.18-25)
  8. Cura de um doente na Piscina de Bethesda (Jo 5.1-9)
  9. Cura de um homem com uma mão ressecada (Mt 12.10-13; Mc 3.1-5; Lc 6.6-10)
  10. Cura do criado do centurião (Mt 8.5-13; Lc 7.1-10)
  11. Ressurreição do filho de uma viúva (Lc 7.11-15)
  12. Cura de dois homens cegos (Mt 9.27-31)
  13. O acalmar a tempestade (Mt 8.23-27; Mc 4.37-41; Lc 8.22-25)
  14. Cura de um homem possuído por demônio (Mt 8.28-34; Mc 5.1-15; Lc 8.27-35)
  15. Cura de uma mulher de hemorragia (Mt 9.2-22; Mc 5.25-29; Lc 8.43-48)
  16. Ressurreição da filha de Jairo (Mt 9.18-19, 23-25; Mc 5.22-24, 38-42; Lc 8.41-42, 49-56)
  17. Cura de um homem mudo e possuído por demônio (Mt 9.32-33)
  18. Alimentação miraculosa de 5000 homens (Mt 14.15-21; Mc 6.35-44; Lc 9.12-17; Jo 6.5-13)
  19. Andar nas águas (Mt 14.25; Mc 6.48-51; Jo 6.19-21)
  20. Cura da filha de uma mulher Cananéia (Mt 15.21-38; Mc 7.24-30)
  21. Cura de um surdo-mudo (Mc 7.31-37)
  22. Alimentação miraculosa de 4000 (Mt 15.32-38; Mc 8.1-9)
  23. Cura de um homem cego (Mc 8.22-26)
  24. Cura de um menino possuído por demônio (Mt 17.14-18; Mc 9.17-19; Lc 9.38-43)
  25. A moeda na boca do peixe (Mt 17.24-27)
  26. Cura de um homem nascido cego (Jo 9.141)
  27. Cura de um homem surdo e cego (Mt 12.22; Lc 11.14)
  28. Cura de uma mulher aleijada (Lc 13.11-13)
  29. Cura de um homem com hidropisia (Lc 14.14)
  30. Ressurreição de Lázaro (Jo 11.1-44)
  31. Cura de dez leprosos (Lc 17.11-19)
  32. Cura de dois homens cegos (Mt 20.29-34; Mc 10.46-52; Lc 18.3543)
  33. Maldição da árvore de figo (Mt 21.18-22; Mc 11.12-14, 2(25)
  34. Cura da orelha de Malchus (Lc 22.50-51)
  35. Segunda pesca miraculosa de peixe (Jo 21.1-11)

Os quatro Evangelhos também narram o batismo de Jesus (Mt 3.13-17; Mc 1.9-11; Lc 3.21-22). Jesus não foi batizado por causa de qualquer pecado pelo qual precisou de perdão. Foi batizado porque era a coisa certa a fazer para obedecer a Deus. Ele se identificou conosco para que pudesse ser nosso salvador. No seu batismo, a voz de Deus do céu declarou: "Este é o meu Filho amado em quem me agrado" (Mt 3.17). Os Evangelhos também narram certa tentação de Jesus depois do seu batismo (Mt 4.1-11; Lc 4.1-13). Um fato muito importante na vida de Jesus Cristo é a chamada "transfiguração" (Mt 17.1-8; Mc 9.2-10; Lc 9.28-36; 2Pd 1.16-18). Nesse evento Jesus mudou por três vezes diante dos apóstolos Pedro, Tiago e João. Ele estava branco esplandecente em aparência, provavelmente porque a divindade dele estava irradiando. A voz de Deus do céu declarou: "Este é o meu Filho amado. Ouçam a ele!" (Mc 9.7). Perto do fim da vida de Jesus, lemos da sua entrada triunfal em Jerusalém (Mt 21.1-11; Lc 19.28-40; Jo 12.12-19), da sua purificação do templo (Mt 21.12-17; Mc 11.15-19; Lc 19.45-48) da sua prisão, julgamento, crucificação e ressurreição (Mt 26.36-28.10; Mc 14.32-16.18; Lc 22.39-24.49; Jo 18.1-21.14).

    1. Os ensinamentos de Cristo

Os cristãos se referem a Jesus como o Professor Mestre. Até onde sabemos, Jesus não recebeu nenhuma educação formal (Jo 7.15); contudo, ele ensinou de modo tão notável que as pessoas ficaram admiradas (Jo 7.46). Jesus ensinou freqüentemente em parábolas ou histórias que tornaram o seu ensino muito interessante. Ele usou ilustrações cotidianas tiradas da vida das pessoas, para fazer aplicação dos seus ensinos. Em contraste com a maioria dos professores que falham em algum ponto para viver até o seu próprio ensino (Mt 23.3), Jesus praticou perfeitamente o que ensinou. Jesus ensinou com grande autoridade (Jo 3.34; 7.16; Mt 7.28-29). Não teve que citar várias autoridades humanas para provar o seu ponto. Simplesmente poderia declarar: "Eu digo a vocês" (Mt 5.22-28, 32, 34, 39, 44). Jesus não só ensinou a verdade, ele era a verdade (Jo 14.6).

O modo de vida que Jesus nos ensinou a viver é um modo de vida que conduzirá a felicidade (Jo 10.10; Mt 5.3-12). Muitos psicólogos descobriram suas instruções às pessoas para a felicidade são as mesmas que Jesus ensinou há muito tempo.

Algumas das parábolas de Jesus são notáveis por causa da sua beleza tenra e profundidade espiritual. Por exemplo, leia as três parábolas em Lucas 15, a parábola das ovelhas perdidas, das moedas perdidas e do filho perdido. Essas parábolas nos falam que Deus quer que nós, suas crianças perdidas, venhamos para casa e ele dará boas-vindas ao retornamos. Também leia a história do bom pastor em João 10. Alguns dos maiores ensinamentos de nosso Senhor Jesus têm sido colecionados juntos em seções longas no Evangelho de Mateus. Leia as três seguintes seções dos ensinamentos de Jesus e você verá por que ele foi o que corretamente chamamos de o Professor Mestre.

  1. O sermão da Montanha (Mt 5.1-7.28)
  2. Parábolas do reino (Mt 13.1-53)
  3. Vida no reino (Mt 18.1-35)

O ensino ético ou moral de Cristo é o maior que este mundo já conhecia. O padrão ético que Jesus ensinou não era um mero código legal externo de regras e regulamentos. Ele chegou ao cerne da questão (Mt 23.1-28). O assassinato é errado, mas Jesus também nos ensinou a remover o ódio e a ira dos nossos corações, porque podem levar ao ato do assassinato (Mt 5.21-26). O ato do adultério é errado, mas Jesus nos ensinou a evitar os maus desejos em nosso coração (Mt 5.27-30). Jesus nos ensinou a fazer boas ações, mas deveríamos fazê-las por motivos corretos (Mt 6.14, 16-18). Uma boa ação feita de um motivo egoísta perde a essência de sua bondade.

Jesus ensinava muito sobre o "reino de Deus" (Mc 1.14-15; Mt 13.1-53). Geralmente, o "reino de Deus" refere-se ao reinado de Deus. Quando Jesus fala de herdar o reino, ele está se referindo à nossa recepção da recompensa do céu e da vida eterna (Mt 25.34). Ao falar tanto do reino de Deus, Jesus encorajava as pessoas a se submeterem a Deus como rei e o obedecê-lo em todas as coisas (Mt 6.10). Jesus também ressaltou o arrependimento, a humildade e o serviço aos outros (Mc 1.15; 9.35; 10.15; Lc 22.25-27).

Jesus enfocou muito fortemente o amor como uma chave para a vida correta. Por "amor" Jesus não pretende dizer simplesmente "sentir-se bem com alguém" ou "gostar de alguém". O amor do qual falou significa buscar o que é melhor para outra pessoa de um modo altruísta. Ele disse que deveríamos amar até mesmo nossos inimigos (Mt 5.43-48). Qualquer um pode ser agradável a alguém que é agradável a ele, mas podemos ser amáveis a alguém que é nosso inimigo? Jesus ensinou que seus discípulos devem "amar uns aos outros" (Jo 13.34; cf. Jo 15:10; 1Jo 5.3; 2Jo 6). Ele ensinou que o amor é o dever supremo do homem:

Respondeu Jesus: "‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento". Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: ‘Amarás a teu próximo como a ti mesmo’" (Mt 22.37-39; cf. Mc 12.29-30; Lc 10.27; Dt 6.5).

E Jesus nos deu o que foi chamado da "Lei Áurea" de vida: "Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam" (Mt 7.12; Lc 6.31). Sem dúvida Jesus tem as "palavras da vida" (Jo 6.68).

    1. A perfeição de Jesus Cristo

As Escrituras falam de Jesus tendo sido "aperfeiçoado" (Hb 5.9). "Nele não há nenhum pecado" (1 Jo 3.5). Como nosso cordeiro de sacrifício Jesus teve que ser sem defeito (Jo 1.29; Heb. 9.14). O apóstolo Pedro disse: "Ele não cometeu nenhum pecado" (1 Ped. 2.22). O apóstolo Paulo escreveu: "Por nossa causa Deus se fez pecador daquele que não tinha pecado" (2 Cor. 5.21). Jesus "foi testado sob todos os pontos de vista como nós somos, contudo sem pecado" (Heb. 4.15). Jesus até ousou perguntar para seus oponentes: "qual de vocês me condena de pecado"? (Jo 8.46). Certamente Jesus Cristo é o "único santo e justo" (Atos 3.14). Jesus era sem pecado no lado negativo porque nunca fez qualquer coisa de errado e no lado positivo porque era bom e íntegro (Atos 10.38).

A evidência para a perfeição de Jesus foi bastante diversa. Não só veio de amigos simpatizantes que poderiam ter sido levados ao exagero, mas também veio de pessoas que eram bastante neutras em relação a Jesus. O mais surpreendente de tudo: essa evidência veio até mesmo dos que não eram simpatizantes à sua causa. Aqui está um resumo das evidências para perfeição de Jesus:

1. Testemunhas simpatizantes

A. Pedro - Lc 5.8; 1 Pedro. 1.19; 2.22; 3.18; Jo 6.69; Atos 3.14

B. João - 1 Jo 2.1, 29; 3.5, 7; Atos 4.27

C. Paulo - 2 Cor. 5.21

D. O autor de Hebreus - Heb. 2.10; 4.15; 5.8-9; 7.26, 28; 9.14

E. Estêvão - Atos 7.52

F. Ananias - Atos 22.14

  1. Os primeiros cristãos - Atos 4.30
  2. O anjo Gabriel - Lc 1.35

2. Testemunhas antagônicas

A. Líderes judeus - Mt 26.55-59; 22.52-53; Jo 18.20-21

  1. Judas - Mt 27.4

  1. Os demônios - Mc 1.24; Lc 4.34

3. Testemunhas Neutras

A. Pilatos - Mt 27.18, 23-24, Mc 15.14, Lc 23.4, 14-15, 22; Jo 18.38; 19.4-6

B. A esposa de Pilatos - Mt 27.19

C. O ladrão na cruz - Lc 23.41

D. O centurião - Lc 23.37

4. O próprio testemunho de Jesus

A. Jo 8.46; 14.30; 15.25; 18.23

B. A sua obediência perfeita - Jo 4.34; 5.30; 6.38; 7.18; 8.29, 55; 15.10; 17.4; Lc 22.42; Heb. 10.5-7; Mc 14.48-56; Lc

O testemunho do próprio Jesus pode ser o mais valioso de todos. Quanto melhores as pessoas, mais elas tendem a estar atentas as menores faltas nas suas vidas. Quanto piores as pessoas são, mais tendem a minimizar os pecado sérios nas suas vidas. No seu íntimo, Jesus não mostra evidência que estava atento a qualquer pecado ou mal na sua vida. Sua afirmação de estar sem pecado era uma das mais arrogantes reivindicações jamais feitas por um ser humano, ou era a verdade. Jesus era um lunático ou um mentiroso, ou o Senhor? Todas as outras evidências tendem a confirmar a afirmação da perfeição de Jesus. Por isso, os cristãos acreditam que ele era perfeito e sem mácula. Veremos agora a grande importância da perfeição de Jesus ao examinarmos seu trabalho como um sacrifício de expiação pelos nossos pecados.

    1. A expiação
    2. O termo "expiação" refere-se ao ato de cobrir os pecados que foram realizados pela morte de Jesus na cruz. Se você ainda não leu sobre o terrível sofrimento e morte de Jesus na cruz, por favor leia e faça em qualquer uma das passagens do evangelho ou em vários (Mt 27.27-52; Lc 15.16-39; Lc 23.2648; Jo 19.16-37). Deus estava preparando a humanidade para entender a expiação por meio dos vários sacrifícios que ele ordenara ao povo judaico durante a era mosaica (Rom. 15.4; 1 Cor. 10.6). Por exemplo, quando a morte ia levar o filho mais velho de cada família no Egito, o povo de Israel era ordenado a sacrificar um cordeiro perfeito. Eles deviam colocar o sangue do cordeiro ao redor da sua porta. As casas que tinham sangue na porta estavam protegidas da morte. Deus estava mostrando-nos num modo simbólico o que revelaria muito depois. Podemos escapar da morte eterna por meio do sangue de Jesus.

      Outra lição do Velho Testamento da expiação vem por meio do Dia da Expiação dos judeus. Os judeus usaram duas cabras. Uma seria sacrificada e o sangue seria aspergido no templo. O sumo sacerdote colocaria suas mãos na outra cabra, às vezes chamada de bode expiatório. Ele confessaria os pecados do povo, simbolicamente transferindo os pecados deles para a cabra inocente. Aquela cabra seria solta então e levada ao deserto. As pessoas entenderiam então que o seu pecado tinha sido removido. O sangue derramado junto com a morte era a forma de purificar-se dos pecados.

      "De fato, segundo a Lei, quase todas as coisas são purificadas com sangue, e sem o derramamento de sangue não há perdão" (Heb. 9.22). Cristo é nosso sacrifício de expiação e é nosso bode expiatório que assume nossos pecados e os leva embora: "Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, a fim de que morrêssemos para os pecados e vivêssemos para a justiça; por suas feridas vocês foram curados" (1 Pedro 2.24)

      Os sacrifícios do Velho Testamento, principalmente de animais, não eram para ser uma solução completa ao problema do pecado humano. Eles eram somente temporários, enquanto Deus estava se preparando para enviar seu Filho ao mundo (Gal. 3.23-25; 4.4). Eles foram designados para ensinar obediência à humanidade e confiança nas promessas de Deus. Eles ensinam o conceito de sacrifício de uma vida entregue para expiar pelos outros. O autor de Hebreus nos informar que "é impossível que o sangue de touros e bodes tire pecados" (Heb. 10.4). Mas o sangue de Jesus é o sacrifício de sua vida inocente na cruz para poderia tirar nossos pecados. Quando João Batista viu Jesus, ele declarou: "Este é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo"! (Jo 1.29). Ao invés de oferecer como sacrifício um animal para os pecados do mundo, Jesus se ofereceu: "Se assim fosse Jesus precisaria sofrer muitas vezes, desde o começo do mundo, mas agora ele apareceu uma vez por todas no fim dos tempos para aniquilar o pecado mediante o sacrifício de si mesmo." (Heb. 9.26).

      Outra grande lição da expiação do Velho Testamento se encontra em Isaías 52.13-53.12, comumente conhecido como uma das passagens do Servo Sofredor. Essa passagem é aplicada a Jesus no Novo Testamento (Atos 8.32-35). Em Isaías 53, alguém que era o servo de Deus era inocente da mesma maneira que Jesus era sem pecado (Isa. 53.7-9). O sofrimento desse servo era bastante completo, assim como era o sofrimento de Jesus (Isa. 53.5, 8-12). O sofrimento desse servo não era acidental, mas foi planejado por Deus, assim como foi o sofrimento de Jesus (Isa. 53.6,10; Atos 2.23; Pedro 1.20). O sofrimento deste servo, como era o sofrimento de Jesus (Isa. 53.4t, 12; 2 Cor. 5.21). Finalmente, o sofrimento desse servo foi vitorioso, como, novamente, era o sofrimento de Jesus (Isa. 53.11-12; Rom. 8.37; 1 Cor. 15.54-57). Na morte de Cristo nós ganhamos vitória sobre os pecados, a morte e o diabo (Heb. 2.14; Col. 2.14-15).

      Jesus predisse sua morte nas palavras: "Isto é o meu sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para perdão de pecados " (Mt 26.28). Paulo disse que a morte de Jesus era "um sacrifício pelo sangue" dele (Rom. 3.25). Pedro conta aos cristãos que eles tinham sido resgatados, quer dizer, comprados da escravidão dos pecados, "mas pelo sangue precioso de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito" (1 Pedro 1:19). É pelo sangue de Jesus que ele "Tu és digno de receber o rolo e de abrir os seus selos, pois foste morto, e com sangue compraste para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação." (Apocalipse 5.9; cf. Ef. 1.7; 5.25; Mc 10.45; Atos 20.28; 1 Cor. 6.19-20; 1 Jo 1.7).

      A morte de Jesus foi para toda a humanidade. Algumas pessoas ensinaram incorretamente que Jesus morreu somente para aqueles escolhidos por Deus para serem salvos. Dizem que a expiação é limitada, mas a Bíblia diz que Jesus morreu pelo mundo inteiro (Jo 1.29; 3.16-17; 4.42; 2 Cor. 5.19; 1 Jo 2.2; 4.14). Ele morreu por "todos" (2 Cor. 5.14; 1 Tim. 2.6; Heb. 2.9; Tt. 2.11), até mesmo para pecadores (1 Tim. 1.15; Rom. 5.6-8) e para aqueles uma vez salvos mas agora perdidos (2 Pedro 2.1). Isso é pertinente ao caráter de Deus que quis salvar a todos (2 Pedro 3.9; 1 Tim. 2.4). Embora Jesus morresse por toda a humanidade, nem todos serão salvos. A expiação está disponível a todos, mas só alguns acreditarão e serão salvos (1 Tim. 4.10).

      O meio básico pela qual a morte de Jesus serve para expiar os nossos pecados é pela substituição. Jesus era sem pecado. Ele era perfeito, sem mácula nem ruga. Ele não mereceu sofrer e morrer. Embora ele não tenha merecesse a morte, ele tomou nosso lugar e assumiu nossos pecados. Ele morreu por nós em nosso lugar. Ele nos restabeleceu à plena comunhão com Deus, removendo a separação entre nós e Deus, que foi causada pelos pecados (Isa. 59.1-2). Como Pedro explicou: "Pois também Cristo sofreu pelos pecados uma vez por todas, o justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus" (1 Pedro. 3.18). Paulo explica a expiação com detalhes:

      "De fato, no devido tempo, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios. Dificilmente haverá alguém que morra por um justo; pelo homem bom talvez alguém tenha coragem de morrer. Mas Deus demonstra seu amor por nós, pelo fato de Cristo ter morrido em nosso favor quando ainda éramos pecadores. Como agora fomos justificados por seu sangue, muito mais ainda seremos salvos da ira de Deus por meio dele. Se quando éramos inimigos de Deus fomos reconciliados com ele mediante a morte de seu Filho, quanto mais agora, tendo sido reconciliados, seremos salvos por sua vida (Rom. 5.6-10).

      É por isso que Jesus Cristo é a única esperança de salvação para homens pecadores: "Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu, não há nenhum outro nome dado ao homens pelo qual devemos ser salvos" (Atos 4.12). Ninguém pode se aproximar do Pai exceto por ele (Jo 14.6).

      O salário do pecado é a morte (Rom. 6.23), mas Deus não exigiu a morte de algum ser humano inocente contra sua própria vontade. Deus não disse aos homens: "Sacrifiquem um bebê recém-nascido por seus pecados". Em vez disso, O Filho de Deus tornou-se um homem por meio da encarnação e o nascimento virginal de Cristo. O próprio Deus, na forma do Filho, viveu uma vida perfeita, sem pecado. O próprio Deus proveu o sacrifício pelos nossos pecados. O amor de Deus é demonstrado por meio da morte de Jesus na cruz (Jo 3.16; Rom. 5.8; Ef. 5.25). É por isso que os cristãos deram tanta ênfase na pregação da morte de Jesus na cruz (1 Cor.1.23; 2.2; 15.14; Gal. 6.14). Como cristãos nós somos gratos pelo grande dádiva de Deus ao dar-nos seu Filho. Somos tocados pelo amor de Deus, de forma que somos motivados e inspirados para viver vidas mais nobres (Mc 8.34-37; 1 Jo, 4.19; 2 Cor. 5.14-15; Jo 12.32; 15.13; Fp. 3.10; 1 Pedro 2.21; Fl. 2.5-8; Heb. 12.1-3). Como cristãos nós não nos gabamos de nós mesmos nem pensamos que somos algo especial. Nós nos gabamos e nos glorificamos nele por causa do que ele fez para nós (Gal. 6.14; 2 Cor. 4.5).

    3. A ressurreição de Cristo
    4. Depois da morte de Jesus na cruz, ele foi sepultado num túmulo com uma pedra grande cobrindo a entrada. Foram colocados soldados como guardas fora do túmulo. Na manhã do primeiro dia da semana, porém, Jesus voltou à vida e saiu daquele túmulo (Mt 28.1-15; Mc 16.1-18; Lc 24.1-49; Jo 20.1-29; Gal. 1.1; Ef.1.20). Não confunda os ensinamentos da ressurreição de Jesus com a reencarnação ou a transmigração de almas. Nós não nascemos inúmeras vezes em vários corpos onde nós vivemos vidas diferentes. Só vivemos e morremos uma vez (Heb. 9.27). Depois disso seremos levantados da morte para ficar perante Deus em julgamento para aprender qual será o nosso destino eterno (Jo 5.29).

      Há várias razões por que os cristãos acreditam que Jesus foi ressuscitado ou levantado para a vida. Seu túmulo estava vazio e o corpo não tinha sido roubado (Atos 2.29; Mt 2.13). Além disso, havia muitas testemunhas que viram Jesus vivo depois da ressurreição (Atos 2.32; Jo 20.27-28; 1 Cor. 15.4-7). A mudança notável que aconteceu na vidas de muitas pessoas é explicada melhor pela ressurreição de Cristo. É por causa da ressurreição de Cristo que muitos acreditaram enquanto outros ganharam a coragem de pregar (Jo 7.5; Atos 1.14; 4.13-21; 5.42). A conversão notável de Saulo de Tarso, depois conhecido como o apóstolo Paulo, é explicada melhor pela ressurreição de Jesus Cristo (1 Cor. 15.8-10; Atos 9.1-22; 22.1-16).

      Nós devemos responder com fé à verdade da ressurreição de Jesus (Jo 20.27; Rom. 10.9-10). Deveríamos ser batizados em imitação da morte, sepultamento e ressurreição de nosso Senhor (Rom. 6.1-6; Col. 2.12; 1 Pedro 3.21). Deveríamos ser mantidos a desejar adorar a Cristo, como resultado de sua ressurreição, já que prova que ele é o Senhor (Mt 28.9, 17; Rom. 1.4; Jo 20.28). Devemos sentir grande alegria, porque sua ressurreição nos dá esperança (Mt 28.8; Jo 20.20; Rom. 6.9). Sua ressurreição é a prova vinda de Deus que seremos levantados da morte no fim do mundo (Rom. 8.29; 14.9; 1 Cor. 15.20, 23, 51-54; Ef. 2.6; Col. 1.18; 2 Tim. 1.10; Apocalipse. 1.5, 17-18).

      Sem a ressurreição dele, estamos perdidos e tudo o que fazemos em seu nome é em vão (1 Cor. 15.14-19). Foi pela morte e ressurreição de Jesus que Deus nos proveu a salvação (Rom. 4.25; 1 Pedro 3.21). Se nós "conhecemos Cristo e o poder da ressurreição," então nós podemos "ressuscitar da morte" e um lar no céu (Fp. 3.10; cf. Jo 14.19; Rom. 8.11; 1 Cor. 6.14; 2 Cor. 4.14; 1 Tes. 4.14; 1 Pedro 1.3).

      Como a igreja pregou muito sobre a cruz de Cristo, eles também pregaram muito sobre a ressurreição de Cristo (Atos 2.24, 31; 4.2, 10; 5.30; 13.30-33, 37; 26.22-23).

      De fato, essa é uma parte integral da missão da igreja, isto é, pregar a ressurreição de Jesus dos mortos (Lc 24.48; Atos 1.8; 2.32; 3.15; 4.33; 5.32; 10.39-41; 13.47; 1 Cor. 11.26).

      A ressurreição foi seguida pela ascensão de Jesus Cristo ao céu (Lc 24:50-53; Atos 1.6-11). A ascensão significou o fim das aparições de Jesus pós-ressurreição, e foi a ocasião de sua exaltação no céu por Deus Pai (Atos 2.32-36; 7.56; Col. 3.1-2; Heb. 1.3; 8.1). Depois de falar da morte de Jesus na cruz, Paulo contou desta exaltação de Cristo:

      "Por isso Deus o exaltou a mais alta posição

      e lhe deu o nome

      que está acima de todo nome,

      para que ao nome de Jesus

      se dobre todo joelho,

      no céu e na terra e debaixo da terra,

      e toda língua confesse que

      Jesus Cristo é o Senhor,

      para a glória de Deus Pai" (Fl. 2.9-11).

      Por causa de sua vida perfeita e a morte sacrificial, Deus levantou o Cristo do sepulcro e lhe deu toda a autoridade no céu e na terra (Mt 28.18). Cristo foi feito cabeça da igreja (Ef. 1.20-23; Col. 1.16-18; Atos 4.11; 1 Pedro 2.7; Mc 12.10). "Deus o exaltou, colocando-o à sua direita como Príncipe Salvador" (Atos 5.31). Isto significa que Jesus está vivo, em posição de autoridade suprema, e é capaz de interceder por nós no céu (Rom. 8.34; Heb. 1.3; 7.25; 8.11, 34; 1 Jo 2.1). Cristo se tornou nada menos que o Rei dos reis e o Senhor dos senhores (Lc 1.32-33; Apocalipse. 17.14; 19.16). Ao considerarmos a posição de Cristo no céu à mão direita de Deus, devemos obedecer a Deus e fixar nossas mentes em coisas espirituais em vez de coisas mundanas (Col. 3.1-2).

    5. Salvação pela graça
    6. Sendo que merecemos a morte e castigo para nossos pecados, a salvação tem que ser pela graça de Deus. Graça normalmente é definida como "favor não merecido". Talvez a maior história que ilustra a graça é a história do filho pródigo (Lc 15.11-32). Este filho tinha levado a sua herança e deixado a casa. Ele desperdiçou o dinheiro vivendo em pecado. Quando estava sem dinheiro e faminto, ele decidiu ir para casa e possivelmente arrumar um trabalho como servo de seu pai. Ele não merecia ser tratado bem pelo pai, mas o pai lhe deu boas vindas e o tratou mais uma vez como seu filho.

      É impossível ganharmos ou merecermos a nossa salvação. Nós não podemos pagar pelos nossos pecados; não podemos colocar Deus em uma posição onde ele fique em débito conosco. Podemos trabalhar para Deus e podemos fazer boas ações, mas já temos por obrigação fazer o bem, então não há nenhum mérito especial nisto. Até mesmo se nós fossemos bons, seríamos iguais o servo em uma das parábolas de Jesus: "Nós fizemos o que nós deveríamos ter feito" (Lc 17.10). Isto é o que a Bíblia quer dizer quando dizemos que nós não podemos ser salvos por obras (Gal. 2.16). Se a salvação fosse através das obras, seria devido a nós, e já não poderia ser uma dádiva pela graça de Deus (Rom. 4.1-8). Como Paulo disse: "Assim, hoje também há um remanescente escolhido pela graça. E, se é pela graça, já não é mais pelas obras; se fosse, a graça já não seria graça." (Rom. 11.5-6; cf. 2 Tim. 1.9).

      Para ser salvos devemos ser humildes. Se de alguma maneira pudéssemos nos salvar por nossos próprios esforços, nós não seríamos humildes, mas orgulhosos. Nós nos vangloriaríamos e gabaríamos do que fizemos para sermos salvos. É por isso que nós podemos ser salvos pela graça, para ninguém se vangloriar (Rom. 3.27; Ef. 2.8-9). O apóstolo Paulo é um bom exemplo de alguém que teve razão para se gabar das habilidades humanas e realizações (Cor. 11.1-12.13). Mas Paulo disse: "Pela graça de Deus eu sou o que sou" (1 Cor. 15.1). Sobre o que se gabou Paulo? Gabou-se do amor de Deus demonstrado em Jesus Cristo: "Quanto a mim, que eu jamais me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo" (Gal. 6.14). "Aquele que se glorie, glorie-se no Senhor" (1 Cor. 1.31; cf. 2 Cor. 10.17).

      A salvação vem de Deus como um presente gratuito, sendo pela graça. Paulo disse que nós somos "justificados gratuitamente por tua graça, por meio da redenção que há em Jesus Cristo" (Rom. 3.24). "O salário do pecado é a morte, mas o Dom gratuito de Deus é vida eterna em Jesus Cristo nosso Senhor" (Rom. 6.23; cf. 2 Cor. 9.14-15; Apocalipse. 22.17). Se a salvação é gratuita e se isto é um presente, significa que nós não precisamos fazer nada para ser salvos? Claro que não é verdade, e no decorrer deste livro eu estarei compartilhando com você o que tem que fazer. Mas para o momento vamos ver porque temos que fazer algo para salvação embora seja um presente da graça de Deus.

      Embora a salvação seja um presente, é necessário que a recebamos e a façamos efetiva em nossas vidas. Somos salvos pela graça, mas graça vinda "por fé" (Ef. 2.8). Como veremos adiante, nós também temos que nos arrepender e obedecer a Deus se queremos ser salvos. O que na verdade nos salva? Nossa fé? Ou a graça de Deus? Nossa obediência? Ou a graça de Deus? Uma ilustração simples pode explicar esta aparente contradição. Suponha que é meio-dia e você está com dois amigos em num quarto com uma janela. Você pergunta para seus dois amigos por que há luz no quarto. Um dos amigos diz: "Porque há uma janela". O outro amigo diz: "Há luz no quarto, porque o sol está brilhando lá fora". Qual amigo está correto? Ambos estão. O sol é atual fonte de luz, mas a janela é necessária para que a luz do sol possa entrar no quarto. O sol causa a luz, mas a luz passa "pela janela".

      Nossa salvação é do mesmo modo. Da mesma maneira que o sol causa a luz, quem de fato nos salva é Deus, Cristo, o Espírito Santo, o sangue de Jesus e a graça de Deus. Mas Deus não forçará a salvação em ninguém. Nós temos que providenciar o ingrediente necessário pelo qual a graça de Deus entre em nossas vidas para nos salvar. Qual a janela pela qual a salvação de Deus alcança nossa alma? É a "fé" (Ef. 2.8; Rom. 5.1-2). É, como veremos o arrependimento. É a obediência. É também o batismo, o qual estudaremos brevemente com mais detalhes. Não ganhamos ou merecemos qualquer coisa quando somos batizados. Isto somente significa o meio pelo qual Deus nos salva. Como Paulo escreveu: "não por causa de atos de justiça por nós praticados, mas devido à sua misericórdia, ele nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo (Tito 3.5; cf. Atos 2.38; 22.16; 1 Pedro. 3.21).

      A salvação pela graça não é uma doutrina que pretende parar esforços de nossa parte para ser bons e para viver vidas santas. Nós não deveríamos ignorar a graça de Deus. Não devemos presumir que podemos pecar à vontade, e Deus perdoar-nos-á automaticamente (Rom. 6.1-2; 2 Pedro 2.17-22; Judas 4). Concluímos esta seção sobre a graça com a declaração clássica de Paulo sobre esta doutrina: "Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é o dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie" (Ef. 2.8-9).

    7. Sendo nós salvos "por fé" (Ef. 2:8; Rom. 1.16), é muito importante entender este conceito. Jesus disse: "Vocês morrerão em seus pecados a menos que vocês acreditem que sou eles" (Jo 8.24; cf. Atos 15.9). Temos que acreditar que Deus existe (Heb. 11.6). Temos que acreditar que Jesus é o Filho de Deus (1 Jo 5.1; Rom. 10.9-10). Somos prometidos que, se acreditarmos em Jesus, não pereceremos, mas teremos vida eterna (Jo 3.16,18, 36; 6.35; 11.26; 20.30-31; Atos 10.43; 16.31). Somos justificados pela fé (Rom. 3.24, 28; 5.1; Gal. 2.16; 3.24). Considerando que fé é tão crucial à salvação, o que é isto? Fé, ou convicção, começa com conhecimento. Começa através de um consentimento mental a certas verdades. Paulo perguntou:

      "Como, pois, invocarão aquele a quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Como são belos os pés dos que anunciam boas novas! No entanto, nem todos os israelitas aceitaram as boas novas. Pois Isaías diz: Senhor, quem creu em nossa mensagem? Consequentemente, a fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo." (Rom. 10.14-17).

      A fé então começa ouvindo falar de Deus e Jesus Cristo e concordando com certas verdades a respeito deles. Mas o tipo de fé que salva é muito mais que isso. Isto é só o ponto de partida. Por exemplo, eu posso acreditar que uma certa mulher é uma médica, que ela foi treinada, e que o seu diagnóstico da minha enfermidade está correto. Eu posso acreditar que o medicamento que ela prescreveu curará minha enfermidade. Toda aquela convicção é em vão, porém, se eu não confiar no médico o bastante para tomar o remédio. Igualmente, uma fé que acredita somente que Deus existe, mas que nunca confia e obedece a Deus não é nenhuma. Como Tiago disse: "Até mesmo os demônios acreditam - e tremem" (Tg. 2.19). Demônios acreditam que Deus existe. Eles têm até medo do poder de Deus e eles tremem de medo, mas não obedecem Deus e portanto, não serão salvos.

      O tipo de fé que salva é a fé que inclui confiança. A fé salvadora foi um compromisso e age no que crê ser verdade. Note como isto é exemplificado por muitos grandes heróis da Bíblia (Heb. 11.1-38). Se nossa fé é limitada ao consentimento mental, então é fé morta e não nos salvará (Tg. 2.14-26). Nossa fé deve ser ativa e trabalhadora (Gal. 5.6). Algumas pessoas lhe falarão que tudo que você tem que fazer para se tornar um Cristão é assinar uma pequena declaração em um livro que você acredita em Jesus como o Filho de Deus. Mas acreditar em Jesus ou ter fé nele significa muito mais que isso. Significa que você está mudando sua lealdade, suas prioridades e a direção de sua vida. Você tem que viver pela fé seguindo Jesus a cada dia e obedecendo-o. "Quem crê no Filho tem vida eterna; já quem rejeita o Filho não verá vida, mas a íra de Deus permanece sobre ele." (Jo 3.36).

    8. Arrependimento
    9. O arrependimento foi uma parte chave da pregação de Jesus sobre o reino de Deus (Mt 3.2; 4.17; Mc 1.15; 6.12). Foi um elemento freqüente da pregação da primeira igreja (At 2.38; 3.19; 26.20). Antes de Jesus subir aos céus, ele disse que "seria pregado o arrependimento para perdão de pecados a todas as nações" (Lc 24.47). Porque o pecado é universal, o arrependimento precisa ser universal. Paulo disse que Deus "ordena que todos, em todo lugar, se arrependam" (At 17.30).

      O arrependimento é importante porque é uma parte essencial do que temos que fazer para sermos salvos (At 2.38; 3.19; 11.18). É por isso que Deus quer que todos se arrependam e pacientemente ele nos dá muitas oportunidades para fazê-lo (2Pd 3.9). Quando um pecador se arrepende, há alegria no céu (Lc 15,7,10).

      O que é o arrependimento? A palavra grega para arrependimento significa "mudança de mente, remorso, virada, conversão, o início de uma nova vida religiosa e moral" (BAGD 512). O arrependimento abrange a tristeza pelo pecado. Paulo disse: "A tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não produz remorso" (2Co 7.10), mas muitas pessoas se confundem nesse ponto.

      Há tipos diferentes de tristeza. Muitas pessoas têm remorso por terem sido apanhadas no pecado. Algumas pessoas estão tristes por terem sido punidos pelo seu pecado. Se nossa tristeza não vai além disso, não temos nos arrependido. O arrependimento significa que estamos bastante tristes para ter uma mudança de atitude. Significa que estamos bastante tristes para fazer um compromisso e tentar fazer melhor (Mt 21.28-31). Mudamos a direção de nossa vida.

      Note na Bíblia a freqüência com que as pessoas são incentivadas a agir de tal forma que outros possam saber que tenham se arrependido (Mt 3.8; Lc 3.8; At 26.20). O arrependimento é fácil de definir, mas não tão fácil de fazer. É o ponto no qual paramos de viver para nós mesmos e começamos a obedecer a Deus.

    10. Obediência
    11. Se um rapaz diz ao pai que o ama, mas depois o desobedece, suas ações são inconsistentes com suas palavras de amor (Mt 21.28-31). A obediência a Cristo e a Deus não é opcional. Na última análise, a obediência é essencial se vamos amar a Deus ou a Cristo. Não há nenhuma outra maneira de mostrar que você ama a Deus, a não ser pela obediência: "Porque nisto consiste o amor a Deus: obedecer aos seus mandamentos" (1Jo 5.3; cf 1Jo 2.5; 2Jo 6). Jesus disse: "Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos" (Jo 14.15; cf Jo 15.10). Purificamos nossas almas pela obediência à verdade (1Pe 1.22). A salvação é para aqueles que são obedientes (He 5.9; At 10.34-35). O julgamento de Deus estará sobre aqueles que não obedecem ao evangelho de Jesus Cristo (2Ts 1.7-9).

      Não é suficiente apenas dizer que você acredita e declarar que segue o Senhor. Jesus disse: "Nem todo aquele que me diz: 'Senhor, Senhor', entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus" (Mt 7.21). Contudo, se você achar que a obediência a Deus é uma tarefa difícil demais, não se desanime. A obediência é absolutamente essencial para nossa salvação, mas não é um obstáculo insuperável para o verdadeiro crente que ama ao Senhor. João nos diz que "os seus mandamentos não são pesadas" (1Jo 5.3). Quando você percebe o que Cristo fez por você, vindo ao mundo e morrendo na cruz, você vai querer obedecê-lo e pode fazê-lo com alegria.

    12. Livre arbítrio
    13. A salvação é uma dávida gratuita, pela graça de Deus, mas ela é condicional. O evangelho é pregado, mas as pessoas têm que crer. O perdão é oferecido livremente, mas temos que nos arrepender. Deus é misericordioso, mas temos que ser obedientes. A salvação já foi paga pelo sacrifício expiador de Jesus Cristo, mas este é eficaz somente na vida daqueles que se rendem à vontade de Deus. Por toda a Bíblia, duas opções são dadas às pessoas, que são o caminho da vida e o caminho da morte (Dt 30.15; At 2.40). Estamos dados a escolha de qual caminho a seguir. Podemos seguir a Jesus ou podemos rejeitá-lo (Jo 14.6; Mt 11.28-30). Deus nos dá numerosos incentivos para fazer o que é correto. Em contraste, ele torna vazia a vida pecaminosa, a fim de nos motivar a arrepender-nos, mas Deus não nos força a fazer o bem ou mal.

      O fato que somos ordenados a crer, arrepender-nos e obedecer implica em que temos um livre arbítrio. Algumas pessoas ensinam erradamente que a humanidade não tem livre arbítrio e que todas as pessoas são predestinadas a ou obedecer a Deus ou viver em rebelião pecaminosa. Algumas pessoas ensinam erradamente que Deus já predestinou cada epssoa ou a ser salva ou a ser perdida e que nós não temos nenhuma escolha para decidir nosso destino. Mas se Deus vai nos responsabilizar pelos nossos pecados, ele fará isso porque temos escolhido livremente a desobedecê-lo. A Bíblia ensina que podemos escolher entre o bem e o mal (Tg 4.17; Jo 7.17; At 13.46). Deus nos chama a uma vida de obediência, a qual resulta em salvação (1Ts 2.12; 1Tm 6.12; He 9.15; 1Pe 2.9). E este chamado ou apelo é oferecido por meio da pregação do evangelho (2Ts 2.14). Escolhemos responder ao seu chamado pelo arrependimento, que é uma mudança de coração, vontade e coração.

      Deus não predeterminou se iremos crer ou arrepender-nos. A Bíblia revela, sim, que Deus tomou certas decisões mesmo antes de criar o mundo. Deus decidiu que Cristo viria para o mundo para nos salvar do pecado (At 2.23; 1Pe 1.18-20). A Bíblia até fala da predestinação, mas essa não envolve a escolha de uma pessoa para ser salva e outra para ser perdida. Não é uma predestinação individual, mas uma predestinação geral de certas classes ou tipos de indivíduos. Deus predestinou que aqueles que crêem em Cristo e vivem um certo tipo de vida serão salvos (Rm 8.28-30; Ef 1.4-5, 11; 2Ts 2.13; 1Pe 1.2-3).

      Compare a doutrina da predestinação com uma professora de escola. Se a professora fosse decidir quais alunos iriam passar na prova e quais iriam ser reprovados, sem lhes dar uma chance de estudar e fazer a prova, ela seria injusta. Se, porém, a professora decidiu que todos os alunos que tiram nota 7 a 10 iriam passar e todos os que tiram nota abaixo de 7 iriam ser reprovados, ela seria justa.

      Deus decidiu antemão que todos os que crêem em Cristo e vivem uma vida santa serão salvos. Aqueles que rejeitam Cristo e vivem uma vida de rebelião pecaminosa serão perdidos. Deus deixou para nosso livre arbítrio a escolha de qual tipo de vida que queremos viver.

    14. O batismo
    15. O batismo é muito importante porque marca o ponto em que a pessoa é iniciada na igreja. "Batismo" advém da palavra grega "baptizma" e o verbo "batizar-se" vem de "baptizo". O batismo deve ser realizado submergindo ou imergindo uma pessoa completamente em baixo da água. A palavra grega para "batizar" significa "mergulhar, imergir" (BAGD, 131). Estas palavras gregas não significam "aspergir" nem "derramar".

      Mesmo sem saber o significado das palavras gregas, pode-se saber que o batismo deve ser realizado submergindo ou mergulhando a pessoa na água. O batismo simboliza que uma pessoa está morrendo para o modo antigo da vida pelo arrependimento do pecado. Ao ser sepultado na água do batismo, o modo antigo é deixado para trás. Ao sair da água do batismo, levanta-se para um novo modo de vida. Deve-se agora seguir a Cristo como um cristãos e viver em piedade e santidade (Rm 6.3-6; Cl 2.12).

      Sabemos que o batismo era imersão na água no primeiro século, porque as pessoas iam a certos locais onde havia um fornecimento copioso de água (Jo 3.23; Mc 1.4-5; At 8.36). Se o batismo fosse aspersão, quem o administrava poderia ter carregado uma bolsa d'água. Não teria sido necessário levar o candidato para o batismo a um local onde havia muita água.

      Algumas pessoas pergunta: "Mas que diferença faz um pouco d'água?" A questão não é a quantidade d'água. A questão é que devemos obedecer a Deus que nos ordenou a sermos imergidos. Além disso, a imersão é consistente com o simbolismo que estamos morrendo para nosso modo antigo de viver, sendo sepultados e ressurgidos para viver uma nova vida.

      Quem deve ser batizado? O batismo é para aqueles que crêem e se arrependem (Mc 16.16; At 2.38). O batismo é para aqueles que estão tomando a decisão de se tornar cristãos e seguir Jesus. Bebês não têm a idade para entender essas coisas. O batismo de um bebê, como fazem muitas igrejas erroneamente, pode ser uma cerimônia sentimental criada pela tradição humana, mas não é ordenado por Jesus nem pelos apóstolos. Um bebê não precisa ser batizado. Não tem pecado e é portanto inocente perante Deus (Mt 18.2-5; 19.13-15; 1Co 14.20; Dt 1.39). Bebês que morrem irão para o céu.

      Algumas pessoas crêem que Efésios 2.3 e Salmo 51.5 provem que crianças são pecaminosas ao nascer e têm que ser batizadas para livrar-se da culpa do pecado original herdado por Adão. Porém, quando Paulo escreveu que os cristãos efésios eram "por natureza filhos da ira" (Ef 2.3), que não estava falando do período quando eram crianças ou bebês. A frase "filhos de" simplesmente significa que alguém possui uma determinada qualidade (Mc 3.17; Jo 12.36; At 4.36; 1Ts 5.5; Ef 2.2; 5.6,8). Paulo estava falando dos cristãos efésios depois que se tornaram adultos. Eles seguiram o pecado. Portanto, estavam sob a ira de Deus. A frase "por natureza" não significa "por nascimento" (Gl 2.15; Rm 11.21,24). Significa, sim, uma condição adquirida que se torna natural ou uma "segunda natureza" (1Co 11.14; Rm 2.14). Os efésios tinham adotado uma vida pecaminosa. A vida maligna tinha se tornado natural para eles. Foi algo que tinham escolhdo pelo seu livre arbítrio. Ademais, Salmo 51.5 apenas ensina que Davi foi muito sensível ao pecado a partir de uma idade tenra, ao vir para um mundo pecaminoso (cf Is 48.8; 1Sm 20.30).

      Um dos principais motivos que adultos são batizados é para receber o perdão dos seus pecados. Um bebê não precisa disso. O ato do batismo, por si só, não tem nenhuma capacidade de salvar. O que importa é o espírito de confiança e obediência no coração do batizando (1Pe 3.21). O batismo de um bebê, que não nem nenhuma idéia do que está ocorrendo, é inútil. Causará confusão mais tarde quando cresce. O batismo, portanto, é para aqueles com bastante idade para crer, confessar sua fé em Cristo, arrepender-se do pecado e ser capazes de tomar uma decisão de seguir a Cristo (At 8.12,36; 16.33; 18.8).

      Por que uma pessoa deve ser batizada? Devemos ser batizados para obedecer a Deus e a Cristo (Mt 28.18-19), para receber o perdão dos nossos pecados (At 2.38), para ter nossos pecados lavados (At 22.16; He 10.22), para receber a habitação do Espírito Santo (At 2.38; 5.32; Rm 8.15; 2Co 1.22; 5.5; Gl 4.6; Ef 1.13-14), para ser salvos (Mc 16.15-16; 1Pe 3.21), para ser unidos com Cristo (Rm 6.3-6), para vestir-nos de Cristo (Gl 3.26-27), para tornarmos membros do corpo de Cristo, a igreja (Ef 1.22-23; At 2.41,47), para tornarmos santos (Ef 5.25-27), e para nascer de novo e sermos renovados pelo Espírito Santo (Jo 3.5; Tt 3.5).

      O ato do batismo em si, separado da fé e do arrependimento, não nos salva. Não podemos ser salvos pelo nosso próprio mérito. Ritos não purificam a alma (1Pe 3.21). O batismo é eficaz porque colocamos a nossa fé em ação, confiamos em Deus e invocamos o seu nome (At 22.16; Rm 10-13). Pedimos a Deus por uma boa consciência (1Pe 3.21).

      Da parte de Deus, o batismo é eficaz porque ele nos concede os benefícios do sacrifício do sangue de Jesus a esta altura (Rm 6.3-6). Recebemos no momento do batismo a esperança da ressurreição para a vida baseada na ressurreição de Jesus (1Pe 3.21). Pela história, o batismo tem sido reconhecido por cristãos fiéis como a linha divisória que separa cristãos dos não-cristãos, membros do corpo de Cristo dos que não são e os salvos dos perdidos.

      Antes de ser batizado, você pode ter uma medida de fé em Cristo e ser um seguidor dele até certo ponto, mas você ainda não se uniu com ele (Rm 6.3-6; Gl 3.27). O batismo é semelhante a uma cerimônia de casamento. Nele, você confessa sua fé em Cristo e afirma sua lealdade a ele (1Tm 6.12-13; 1Jo 4.2-3,15; Mt 10.32-33; Lc 12.8-9; Rm 10.9-10). Antes do batismo, você ainda está fora de Cristo e não há nenhuma esperança fora dele ou separado dele (Ef 2.12).

      Em Cristo, porém, você tem "toda bênção espiritual" (Ef 1.3), a salvação (2Tm 2.10) e perdão dos pecados (Ef 1.7; Cl 1.4). O batismo é o momento quando Deus o transfere do estado fora de Cristo para estar dentro de Cristo. É o momento de entrada para dentro de Cristo (Rm 6.3; Gl 3.27).

      O batismo é para aqueles que crêem em Cristo (Mc 16.16), que se arrependem dos seus pecados (At 2.38) e que se comprometem a viver como cristãos (1Pe 3.21). Se você crê em Jesus Cristo como o Filho de Deus, você deve receber o batismo para se tornar um cristão e fazer parte da sua igreja. Como se faz isso? Você deve procurar uma pessoa que aceite fazer o seu batismo. Se se pede que você aceite algum credo além da Bíblia, deve sair e procurar outra pessoa para batizá-lo. Se alguém lhe diz que o batismo é apenas uma cerimônia simbólica e que nada tem a ver com a salvação, não acredite nele. Volte à sua Bíblia e creia nela (At 2.38; 22.16; Mc 16.16; 1Pe 3.21).

      A Bíblia não nos informa de como fazer exatamente um batismo nem quais palavras devem ser usadas, mas a seguinte abordagem seria apropriada, reverente e agradável a Deus. Poderia começar oferecendo uma oração, confessando a Deus que é pecador, pedindo-lhe a aceitar você como cristão, confessando que crê em Jesus e se comprometendo a seguir a verdade por toda a vida. Você e a pessoa que irá batizá-lo podem entrar na água do mar, de um rio, uma piscina ou uma pequena lagoa.

      A pessoa administrando o batismo pode dizer algumas palavras como estas: "Pela sua confissão de fé em Jesus como o Filho de Deus, eu o batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28.19; At 2.38). Quem administra o batismo pode depois inclinar seu corpo para frente ou para trás, até que seu corpo inteiro fique submergido na água momentaneamente. Ao sair você da água, seria um momento apropriado para orar novamente a Deus. Você poderia agradecer-lhe o envio de Jesus como seu Salvador e o perdão de seus pecados e pedir-lhe que o ajude a crescer e se amadurecer como cristão.

      Uma vez batizado, você é um filho recém-nascido de Deus (1Pe 2.2). O Espírito Santo veio para seu coração para santificá-lo, isto é, para fazê-lo santo (1Co 6.11; Ef 5.25-27; 1Co 3.16-17; 6.19-20). Você agora faz parte da igreja pela qual Cristo morreu (Mt 16.18; At 20.28). Seu nome foi registrado no livro da vida, isto é, o livro de reservas para um lar no céu (Ap 20.15). Seus pecados foram lavados (At 22.16).

      Isto não quer dizer que você nunca mais fará outro erro (Rm 7.15-25). A tentação ainda virá. Mas agora que é um cristão, não precisa ser batizado cada vez que comete pecado. Quando você peca, deve se arrepender e orar a Deus, para que ele o perdoe daquele pecado (1Jo 1.6-10). Você também precisa encontrar uma igreja fiel à Bíblia, para que possa adorar a Deus com outros cristãos e ser encorajado por eles. Agora que é um cristão, você deve agir como cristão, assunto das próximas seções.

      O batismo é somente para aqueles que crêem em Cristo (Mc 16.16), que se arrependem de seus pecados (At 2.38) e que assumem o compromisso de viver como cristão (1Pe 3.21). Se você crê em Jesus Cristo como o Filho de Deus, você deve, então, receber o batismo para se tornar um cristão e um membro da sua igreja.

      Como se faz isso? Procure alguém para fazer o batismo por imersão e peça-o para batizar você, de preferência quem crê nessas verdades que estamos discutindo. Se a pessoa pede que você concorde com algum credo além da Bíblia, saia e procure em outro lugar. Se um pregador ou outra pessoa tentar dizer-lhe que o batismo é apenas uma cerimônia simbólica sem nada a ver com a salvação, não acredite nele. Estudo sua Bíblia e creia nela (Atos 2.38; 22.16; Mc 16.16; 1Pe 3.21). Se não consegue encontrar ninguém para batizá-lo conforme a verdade, poderia pedir um amigo ou parente para fazê-lo.

      A Bíblia não nos instrui exatamente como fazer um batismo nem quais palavras a dizer, mas a seguinte maneira seria apropriada, reverente e agradável a Deus. Poderia começar com uma oração, confessando que é pecador, pedindo Deus para aceitá-lo como cristão, confessando que crê em Jesus e declarando seu compromisso de seguir a verdade por toda a sua vida. Você e a pessoa que irá batizá-lo podem entrar na água dum rio, piscina, lago ou mar. Se não tiver água natural por perto, pode encher uma banheira grande ou tanque de água.

      A pessoa administrando o batismo poderia dizer algumas palavras como essas: "Por causa de sua confissão de Cristo como Filho de Deus, batizo-o em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo para remissão dos seus pecados" (Mt 28.19; At 2.38). O administrador do batismo pode então colocá-lo na água, para trás ou para frente ou diretamente para baixo, até que todo o seu corpo seja submerso na água momentaneamente. Ao sair da água, seria um momento apropriado orar novamente a Deus. Poderia agradecer-lhe por ter enviado Jesus como seu Salvador, por tirar os seus pecados e pedir-lhe que o ajude a crescer e amadurecer como cristão.

      Uma vez batizado, você é um filho recém-nascido de Deus (1Pe 2.2). O Espírito Santo entrou no seu coração para santificá-lo, isto é, para fazê-lo santo (1Co 6.11; Ef 5.25-27; 1Co 3.16-17; 6.19-20). Você agora foi acrescentado à igreja pela qual Jesus morreu (Mt 16.18; At 20.28). Seu nome foi colocado no livro da vida, isto é, o livro de reservas para um lar no céu (Ap 20.15). Seus pecados foram lavados (At 22.16).

      Isto não quer dizer que nunca mais cometerá outro erro (Rm 7.15-25). A tentação ainda virá a você. Mas agora que você é um cristão, você não precisa ser batizado cada vez que comete pecado. Quando você peca, deve se arrepender e orar a Deus para que ele o perdoe daquele pecado (1Jo 1.6-10). Também, você deve encontrar (ou iniciar) uma congregação de Jesus, para que possa adorar a Deus com outros cristãos e ser encorajado por eles.

      Agora que você é cristão, você deve agir como cristão. Este é nosso assunto nas próximas partes.

    16. A vida em Cristo
    17. Uma vez que você se torna cristão, deve continuar a viver de forma que agrada ao Senhor. Se você abandonar a Cristo e começar novamente a viver de modo ímpio, pode perder sua salvação. Algumas pessoas ensinam erradamente que uma vez que você é salvo, sempre estará salvo, não importa o que faz no futuro. Este ensino é contrário ao que está escrito na Bíblia, porém (1Co 9.24; 10.5-12; Gl 5.1-4; 1Tm 4.1, 16; 2Tm 4.10; He 3.12; 6.4-8; Tg 5.19-20; 2Pe 2.20-22; Ap 2.4-5; Lc 8;11-15; Jo 15.1-14).

      Se não pudéssemos perder a nossa salvação depois de recebê-la, haveria menos motivação para viver uma vida piedosa. A graça de Deus apareceu não apenas para nos salvar, mas também para mudar nossas vidas para melhor. Como escreveu Paulo: "Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente" (Tt 2.11-12).

      Então, depois de se tornar cristão, como se deve viver. Muitas vezes no primeiro século os próprios cristãos diziam pertencer a "O Caminho" (At 9.2; 19.9, 23; 22.4; 24.14, 22). A palavra caminho simplesmente significa uma estrada, mas metaforicamente significa "um modo de vida, maneira de agir, conduta" (BAGD, 553-555). Jesus disse que ele era "o caminho" (Jo 14.6), isto é, o meio pelo qual podemos chegar ao céu. Seguimos "o caminho" imitando Jesus em nossas vidas. Freqüentemente no ensino cristão dos primeiros tempos dois caminhos foram descritos. Há um caminho que devemos viver e há um caminho que não devemos viver. Há a maneira certa e a maneira errada, o caminho da virtude e o caminho do mal; o caminho que leva à vida e o caminho que leva à morte; o caminho do Espírito e o caminho da carne. A vida cristã é "o caminho da justiça" (2Pe 2.21; ver Mt 7.13-14; Lc 13.23-24).

      Se a vida cristã é um "caminho", como uma estrada, então, viver a vida cristã é como "andar" naquela estrada. A Bíblia usa freqüentemente o termo "andar" para descrever a vida cristã (BAGD, 649). O apóstolo João a resumiu bem: "Desta forma sabemos que estamos nele: aquele que afirma que permanece nele, deve andar como ele andou" (1 João 2.6).

      Do lado negativo, não devemos andar conforme a carne, no pecado ou nas trevas (Rm 8.4; Ef 2.1-2; 4.17; Cl 3.5-7; 2Ts 3.6, 11; 1Jo 1.6; 2.11). Do lado positivo, devemos andar segundo o Espírito, na luz ou na verdade (Rm 8.4; 2Co 5.7; Gl 5.16; Ef. 2.10; 4.1; 5.2, 8, 15; Cl 1.10; 2.6; 4.5; 1Ts 2.12; 1Jo 1.7; 2Jo 4, 6; 3Jo 3, 4).

      Um termo semelhante é a palavra para "estilo de vida, conduta, comportamento" (BAGD, 61). Cristãos devem abandonar suas vidas pecaminosas anteriores (Ef 4.22) e viver uma vida piedosa em Cristo Jesus (1Tm 4.12; Tg 3.13; 1Pe 1.15; 2.12; 3.1-2, 16; 2Pe 3.11). Paulo instrui a igreja em Éfeso: "Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinado a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos" (Ef 4.22; ver Cl 3.10). É claro que há um estilo de vida específico que você deve seguir como cristão.

      Como podemos definir o modo cristão de vida? O padrão não é um conjunto de regras como os dez mandamentos do Velho Testamento. As regras devem nos apontar uma autoridade maior a qual as dá validade. Ao mesmo tempo que existem muitas instruções específicas de como devemos ou não devemos agir como cristãos, o padrão verdadeiro é o próprio Deus.

      Alguns comportamentos são bons por que são consistentes com a maneira que Deus age. Outros comportamentos são maus porque Deus não agiria desta forma. Paulo disse que nossa "nova pessoa" como cristão deve ser "semelhante a Deus" ou "à imagem do seu Criador" (Ef 4.24; Cl 3.10). Ele nos exorta a ser "imitadores de Deus" (Ef 5.1).

      Jesus também disse que Deus é o padrão para nossas vidas: "Sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês" (Mt 5.48). "Sejam misericordiosos, assim como o Pai de vocês é misericordioso" (Lc 6.36).

      Pedro declarou: "Mas assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, pois está escrito: 'Sejam santos, porque eu sou santo'" (1Pe 1.15-16).

      Cristo é também um exemplo perfeito para nós (Fp 2.5; 1Pe 2.21-24; 1Co 11.1). Como o próprio Deus é o padrão, nosso alvo de imitá-lo também é altivo. Mesmo nunca podendo fazê-lo perfeitamente, viveremos melhor tentando ser tão perfeitos e santos como Deus. O exemplo de Deus deve nos encorajar grandemente para fazer progresso espiritual e moral na santidade e, por ser a perfeição impossível pelo esforço humano, para depender cada vez mais da graça e amor sustentador do Senhor.

      Uma palavra grega interessante no Novo Testamento é geralmente traduzida "digno". Ela significa "correspondente" ou "comparável" (BAGD, 78). Em vários versículos no Novo Testamento somos exortados a viver uma vida "digna" de alguma coisa. Isto significa que nossas vidas devem se corresponder àquela coisa, devem se comparar ou ser iguais a ela.

      Devemos viver "dignos do evangelho de Cristo" (Fp 1.27), "dignos de Deus" 1Ts 2.12) e "dignos do Senhor, agradando-lhe em tudo" (Cl 1.10). Cristãos devem viver "de maneira digna da vocação que receberam" (Ef 4.1).

      Qual é nossa vocação? "Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade" (1Ts 4.7; ver 1Tm 4.9; Ef 1.4). Ele nos chamou "das trevas para sua maravilhosa luz" (1Pe 2.9). Deus nos chama "filhos de Deus" (1Jo 3.1). Deus nos chamou para sermos santos" (Rm 1.7; 1Co 1.2). Santos não são algumas poucas pessoas muito boas as quais o Papa tem canonizado. Todo cristão é um santo. A palavra "santo" significa "santo, puro, separado por/para Deus". Somos santificados, isto é, feitos santos, no batismo (1Co 6.11; Ef 5.25-27). Deus nos chamou para sermos santos e devemos agir como santos.

      O coração da vida cristão é o amor (1Co 13.1-3,13). Paulo escreveu: "Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros, pois aquele que ama a seu próximo tem cumprido a lei" (Rm 13.8). "Toda a lei se resume num só mandamento: 'Amarás a teu próximo como a ti mesmo'" (Gl 5.14; ver Tg 2.8; Mt 22.36-40). Paulo nos dá uma descrição detalhada de como uma pessoa amorosa age (1Co 13.4-7).

      O próprio Cristo é o padrão de como devemos amar (Ef 5.2,25; 1Jo 3.23). Devemos amar "como" ele amou (Jo 13.34; 15.9-12).

      Uma razão por que o amor é tão importante na vida cristã é que agimos, exteriormente, baseados no que somos no interior (Mt 12.33-35; 15.18-19; 23.25-26; Lc 6.43-44). Para sermos realmente bons, temos que mudar nosso coração e nossas atitudes (Rm 12.1-2; Sl 51.10; 119.36; 2Co 10.5; Ef 4.22-23). Nossa pessoa interior tem que se tornar pura e amorosa, para que nossas ações exteriores sejam boas. Na vida cristã, precisamos evitar tanto as obras pecaminosas exteriores e também os pecados interiores dum coração maligno.

      Muitas outras qualidades positivas ou virtudes fazem parte da vida cristã, tais como a humildade, altruísmo, paciência, fazer bem aos outros, devoção a Deus, compaixão e uma atitude de perdão (Ef 4.32). Faça você uma lista das boas qualidades, as quais deve adquirir na sua vida, usando as seguintes passagens: Mt 5.3-9, Gl 5.22-23, Cl 3.12-17, 1Tm 6.11, Tg 3.13, 17-18, 2Pe 1.5-7. Quando você termina sua lista de boas qualidades, compare-a com os vícios ou más qualidades que deve evitar, baseando-se nas seguintes passagens: Rm 1.29-31, 1Co 6.9-10, Gl 5.19-21, Cl 3.5-10, 1Tm 1.9-11, 2Tm 3.2-5, Tg 3.14-16, 1Pe 2.1-2.

      A melhor maneira de aprender sobre a vida cristã é ler grandes porçoes do Novo Testamento que tratam desse assunto. Muitas destas compõem mais ou mais a segunda metade de uma carta do Novo Testamento. A primeira metade é ensino ou doutrina que explica a base religiosa por que devemos viver de um certo modo. A segunda metade nos explica como nossa fé cristã deve ser praticada na vida (Tt 2.1).

      Estude as seguintes porções da Escritura de como viver a vida cristã. A Bíblia ensina sobre a vida familiar, negócios, seu relacionamento ao governo, integridade pessoal, ética sexual e muito mais coisas (Mt 5.1-7.28, 18.1-35, Rm 12.1-5, Ef 4.17-6.20, Cl 3.1-4.6, 1Ts 4.1-12, Tt 2.1-11, He 12.1-13.9, Tg 1.2-5.20, 1Pe 2.11-5.11). Como cristão, treine-se a si mesmo "na piedade" (1Tm 4.7). ". . . busque a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança e a mansidão" (1Tm 6.11).

    18. A Trindade

O termo "Trindade" não é usado na Bíblia, mas tem sido usado freqüentemente para descrever seu entendimento da doutrina de Deus. Os cristãos são monoteístas, isto é, crêem que há apenas um só Deus verdadeiro.

Algumas pessoas no mundo são politeístas e crêem que existam vários, até milhares, ou até milhões, de deuses. Mas os cristãos, junto com os judeus, crêem em um só Deus (Dt 6.4; Mc 12.29; 1Co 8.4; Tg 2.19).

Conhecemos este Deus de três maneiras, como Pai, Filho e Espírito Santo. Há uma distinção entre esses três, mas há também uma unidade entre eles. Já estudamos que Jesus Cristo é Deus, isto é, deidade ou divino (Jo 1.1; 20.28; Fp 2.6). Por ele ser Deus, ele é digno de nossa adoração (Ap 5.1-14). O mesmo é verdade sobre o Pai e o Espírito Santo.

O Pai é Deus, isto é, deidade ou divino (1Co 8.6, Gl 1.1, Ef 4.6, 1Pe 1.2, Jo 6.27). Quando o termo "Deus" é usado na Bíblia sem mais definição, freqüentemente é usado em referência ao Pai.

Deus é grande no seu ser e caráter. Os seguintes são apenas alguns poucos dos atributos de Deus Pai. Ele é:

Deus é grande, majestoso, inspirando temor e muitíssimo digno de nossa adoração e devoção (Ap 4.1-11, Mt 4.10, Lc 4.8, Dt 6.13).

O Espírito Santo também é Deus, isto é, deidade ou divino. Note que, em Atos 5.3-4, Ananias mentiu para o "Espírito Santo" e para "Deus" (compare 1Co 3.16-17, 6.19-20). Isso porque o Espírito Santo é Deus.

O Espírito Santo possui os atributos de Deus (Rm 8.2, Jo 16.13, He 9.14, Sl 139.7). Ele faz obras que somente Deus pode fazer (Gn 1.2, Sl 104.30, Jo 3.8, Rm 8.11, 2Pe 1.21), é colocado como igual a Deus (Mt 28.19, 2Co 13.13) e recebe honra e adoração dignas somente de Deus (1Co 3.16). Não se refira ao Espírito como uma "coisa", como se fosse uma força impessoal. O Espírito Santo é uma pessoa. A ele pode-se mentir (At 5.3-4). Ele pode ser entristecido (Ef 4.30).

O Espírito Santo habita nos cristãos para nos santificar e fortalecer (At 2.38, 5.32, Rm 8.9-16,26, 1Co 3.16-17, 6.11,19-29, 12.13, 2Co 1.22, 5.5, Gl 4.6, Ef 1.13, 3.14-16, Tt 3.5, 1Jo 4.13, Jd 19). O Espírito Santo testifica a Jesus e intercede a nosso favor (Rm 8.26-27).

O Pai, o Filho e o Espírito Santo são todos Deus, todos iguais aos outros e unidos como um (Jo 10.30, Mt 28.19, Jo 15.26, 1Pe 1.2, 1Co 12.4-6). Em 2 Coríntios 13.13, Paulo os considera juntos:

A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vocês.

A doutrina da Trindade exclui os extremos do unitarianismo e politeísmo. Os cristãos não são unitarianos, quer dizer, não crêem que o Pai, o Filho e o Espírito Santo sejam os mesmos, sem haver distinção entre eles. Tampouco crêem que o Pai, o Filho e o Espírito Santo sejam três deuses diferentes.

Há espaço entre estes dois extremos? Tentar entender Deus completamente extrapola nossa capacidade humana finita de raciocinar e os limites da linguagem humana. Deus é infinito. A compreensão completa de Deus ultrapassa nossa capacidade.

Um elemento de mistério permanece na doutrina da Trindade, mesmo depois que os maiores estudiosos do mundo tentaram entendê-la durante os últimos dois mil anos. O que podemos dizer é que conhecemos o único Deus como Pai, Filho e Espírito Santo.

    1. Espírito Santo e milagres
    2. Deus realizou muitos milagres nos dias da Bíblia por meio de seus servos pelo poder do Espírito Santo. O principal propósito dos milagres foi a confirmação da palavra de Deus (Mt 9.4-5; 12.28-29; Mc 2.10-11; 16.17-20; Lc 5.24; Jo 21.24-25; At 2.32-33; 2Co 12.12). Em referência à grande salvação que Deus ofereceu à humanidade, o escritor aos Hebreus afirmou:

      "Esta salvação, primeiramente anunciada pelo Senhor, foi-nos confirmada pelos que a ouviram. Deus também deu testemunho dela por meio de sinais, maravilhas, diversos milagres e dons do Espírito Santo distribuídos de acordo com a sua vontade" (He 2.3-4).

      Uma vez que a revelação de Deus em Cristo tinha sido plenamente conhecida, os milagres cumpriram seu propósito principal. Durante o primeiro século tornou-se evidente um declínio nos eventos miraculosos. No segundo século, os milagres já não estavam sendo realizados.

      As alegações de milagres modernos por pessoas religiosas -- cristãs e não cristãs -- são fracas em comparação com os genuínos milagres da época do Novo Testamento. Às vezes, a alegação de um milagre moderno é apenas uma cura psicossomática. Outras alegações modernas de milagres podem ser facilmente explicadas como ocorrências naturais.

      Por exemplo, a moderna alegação de falar em línguas não é relacionada ao dom do Novo Testamento. Falar em línguas no Novo Testamento era o falar uma língua estrangeira que nunca se tinha estudado (At 2.6,8). O falar em línguas moderno nada mais é do que um blá-blá-blá infantil que, dizem os lingüistas, não é um idioma verdadeiro. Os psicólogos o explicam por traços de personalidade muitas vezes característicos duma religião pentecostal e carismática.

      Muitas alegações modernas de realizar milagres são resultado de engano e fraude por pessoas inescrupulosas. Eles aproveitam da ingenuidade das pessoas e das esperanças desesperadas de indivíduos aleijados ou muito doentes. Numerosas investigações por cientistas imparciais deixaram de descobrir um verdadeiro operador de milagre no mundo de hoje. Ao mesmo tempo, muitos falsos curandeiros foram desmascarados. Nenhuma pessoa hoje tem o poder de realizar milagres, curar os enfermos, falar em línguas ou levantar os mortos.

      Não era o plano de Deus continuar com os milagres durante todas as épocas. Os milagres tinham o propósito de confirmar a palavra (pregação) e ajudar a iniciar seu projeto de redenção. Uma vez que isso foi feito, Deus não quis que as pessoas dependessem de uma muleta a fim de crer. Queria que as pessoas andassem por fé, não por vista (2Co 5.7). Uma vez que a igreja tinha a mensagem confirmada e uma vez que foi escrita um registro permanente e confiável desta mensagem, isto é, as Escrituras do Novo Testamento, Deus deixou que os milagres diminuíssem e cessassem completamente.

      Este processo permitiu que a igreja se tornasse inteira e madura, agindo como adulto andando pela fé, ao invés de ser uma criança precisando de um milagre como prova. Paulo se referiu a isso como a vinda do "completo" ou "perfeito" (1Co 13.8-13; ver Ef 4.11-16).

      Pedir hoje por milagres é voltar ao estado infantil (Mt 12.38-39; 1Co 13.11). Mesmo quando os dons miraculosos estavam presentes na igreja do Novo Testamento, Paulo notou sua importância menor e enfatizou o maior significado do amor em nossas vidas (1Co 12.29 - 13.13). O que era para durar durante a era cristã eram a fé, a esperança e o amor, como Paulo explicou nesta passagem: Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor" (1Co 13.13; ver Mt 22.36-40).

    3. As Escrituras Sagradas
    4. Os documentos que compõem as Escrituras do Velho e do Novo Testamentos, a Bíblia, são considerados a autoridade pelos cristãos. Estes são o mais alto tribunal ao qual se pode dirigir para responder qualquer questão religiosa. A Bíblia nos revela a vontde de Deus e registra como Deus tem agido na História pela salvação da humanidade (Sl 119.105). Os autores das Escrituras foram ajudados pelo Espirito Santo em suas composições, de modo que a Bíblia não é um livro qualquer. É inspirada, quer dizer, viva com o Espírito Santo e pode conduzir à vida eterna (Hb 4.12). A fonte ou origem das Escrituras é o próprio Deus. Estes escritos não são apenas as opiniões ou interpretações dos autores (2Pd 1.20-21). Como disse Paulo: "Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra" (2Tm 3.16-17). Livros além da Bíblia podem ser estudados, ou para nosso benefício, ou para nosso prejuízo. Significa salvação, porém, estudar a Bíblia, crer nela e obedecê-la (Tg 1.21; 2Tm 3.15; 1Pe 1.22-25; Jo 20.30-31).

      A Bíblia é uma coleção de 66 escritos diferentes, de comprimentos viariados, de mais de 40 autores, escritos durante um período de mais de 1500 anos. A Bíblia se divide em duas divisões: o Velho Testamento, e o Novo. O Velho Testamento foi escrito durante a dispensação (período) da lei de Moisés. Contém instruções para a vida e adoração dos israelitas, bem como história, poseia, cânticos de adoração, ditos sábios e proclamações proféticas. Os cristãos crêem nas Escrituras do Velho Testamento como revelação inspirada da vontade de Deus (2Tm 3.16; 2Pd 1.21; Jo 10.35), mas não seguimos todos os mandamentos religiosos nelas encontrados. Estes mandamentos foram dados aos israelitas no período mosaico (Dt 5.1-2; Ez 20.10-12). Jesus Cristo inaugurou uma nova era (Mt 5.7; Cl 2.14; Ef 2.15; Rm 6.14; 7.4; 10.4). O Velho Testamento serviu para preparar para o Novo e os cristãos vivem sob a nova aliança (Gl 3.23-26; Hb 7.12; 8.1-13; 10.1-10; Cl 2.14). Por exemplo, os cristãos não oferecem sacrifícios de animais, porque Cristo foi o nosso sacrifício de uma vez por todas.

      Mesmo que os cristãos não estejam obrigados a praticar a lei de Moisés, há muitos razões para estudar os escritos do Velho Testamento. No primeiro século, a igreja fez uso deles na pregação, os citou e os estudou (At 2.14-36; 8.31-35; 17.2-3, 11; 18.28; 28.23). Paulo afirmou que o Velho Testamento foi útil e proveitoso para os cristãos (1Co 10.11; Rm 15.4). Muitos princípios têm nele sua origem. Boas qualidades e más são demonstradas na vida dos personagens do Velho Testamento. Serve de registro histórico importante. Explica muitas coisas no Novo Testamento e testifica a Jesus Cristo. Estude você os livros do Velho Testamento para aprender grandes verdades a respeito do caráter e Deus e sobre como ter uma vida boa e moral. Tenha cuidado, porém, de não seguir os deveres religiosos do Velho Testamento, os quais se destinaram apenas aos israelitas (Gl 5.4).

      Os escritos do Novo Testamento são essenciais, porque narram a história de Jesus e da igreja nos seus primeiros anos. O significado da revelação de Deus em Jesus Cristo é explicado nas Escrituras do Novo Testamento. Este contém documentos que desfrutam de posição histórica única, porque foram escritos por homens que eram testemunhas oculares da vida, milagres, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Muitos livros do Novo Testamento foram escritos pelos apóstolos, escolhidos especialmente por Jesus (Rm 1.1; Gl 1.1; 1Pe 1.1; 2Pd 1.1). Ao ler a Bíblia, recomenda-se que se comece a partir dos Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas, João) e, depois, leia o resto do Novo Testamento, antes de ler o Velho.

    5. Resumo dos livros da Bíblia
    6. Velho Testamento

      Gênesis

      A história do início do mundo, a raça humana e os primeiros tratos de Deus com a humanidade durante a era patriarcal. Os cinco primeiros livros do Velho Testamento são chamados de "Pentateuco".

      Êxodo

      A libertação de Israel da escravidão do Egito.

      Levítico

      Leis ceremoniais, rituais e morais para Israel.

      Números

      Um registro das andanças de Israel no deserto.

      Deuteronômio

      A aliança da lei entre Deus e Israel.

      Josué

      A conquista e divisão da Terra Prometida pelas tribos de Israel.

      Juízes

      A história de Israel antes da Monarquia.

      Rute

      A história da bis-avó do rei Davi.

      1 Samuel

      A vida de Samuel, Saul e Davi.

      2 Samuel

      Mais sobre a vida de Davi, segundo rei de Israel.

      1 Reis

      A vida de Salomão e de outros reis, e parte da vida do profeta Elias.

      2 Reis

      Elias e Eliseu e as histórias dos reinos de Israel e Judá até a catividade babilônica.

      1 Crônicas

      Genealogias, e segunda narrativa do reinado de Davi.

      2 Crônicas

      Segunda narrativa do reinado de Salomão e outros reis até a catividade babilônica.

      Esdras

      A volta dos israelitas da Babilônia, a reconstrução do templo e o trabalho de Esdras.

      Neemias

      A reconstrução das muralhas de Jerusalém sob a liderança de Neemias.

      Ester

      A salvação dos judeus por Ester no período persa.

      A discussão dramática da justiça de Deus quando um indivíduo justo é permitido a sofrer.

      Salmos

      Uma coleção de cânticos e orações dos israelitas.

      Provérbios

      Uma coleção de ditos sábios, muitos por Salomão.

      Cantares

      Uma poema de amor.

      Isaías

      Oráculos proféticos sobre o reino soberano de Deus e a esperança messiânica. Este livro e os a seguir são os escritos proféticos.

      Jeremias

      Proclamações proféticas, especialmente sobre a queda de Judá à Babilônia.

      Lamentações

      Uma lamentação sobre a queda de Jerusalém perante a Babilônia.

      Ezequiel

      Uma visão profética da Babilônia a respeito da queda de Judá e sua eventual restauração.

      Daniel

      Alguns eventos durante o cativeiro babilônico e uma afirmação do controle de Deus sobre a História.

      Oséias

      A infidelidade de Israel e o amor de Deus, contados parcialmente no casamento de Oséias a Gômer.

      Joel

      Um chamado ao arrependimento depois de uma praga de gafanhotos.

      Amós

      Um chamado pela justiça social em Israel.

      Obadias

      Edom condenado por ter se alegrado no misfortúnio de Israel

      Jonas

      Um profeta relutante prega à cidade de Níneve.

      Miquéias

      Denúncia da injustiça e ritualismo vazio, e uma explicação da verdadeira religião.

      Naum

      Uma declaração da soberania de Deus como vista em seu juízo sobre Níneve.

      Habacuque

      Fé na justiça de Deus desafiada pela opressão dos pobres e pela prosperidade dos ímpios.

      Sofonias

      O juízo de Deus sobre os pecados de Judá e de outras nações.

      Ageu

      Um incentivo aos judeus para reconstruir o templo.

      Zacarias

      A reconstrução do templo e a esperança messiânica.

      Malaquias

      Uma exortação para que o pecaminoso Israel se arrependa.

      Novo Testamento

      Mateus

      O primeiro dos quatro Evangelhos, os quais contam a vida e os ensinamentos de Jesus Cristo.

      Marcos

      O menor dos quatro Evangelhos, o qual enfatiza os feitos, ao invés dos ensinamentos, de Jesus.

      Lucas

      O Evangelho que mostra o amor universal de Jesus a todo tipo de pessoa.

      João

      O último Evangelho a ser escrito, com propósito de levar os leitores à fé em Jesus.

      Atos

      História dos primeiros anos da igreja enfatizando o trabalho dos apóstolos Pedro e Paulo.

      Romanos

      Uma das 13 epístolas (cartas) de Paulo esboçando o plano de salvação de Deus em Jesus Cristo.

      1 Coríntios

      Tentativa de corrigir problemas na igreja em Corinto.

      2 Coríntios

      Defesa de Paulo de si mesmo e seu apostolado.

      Gálatas

      Uma defesa da justificação pela fé contra tentativas de impor rituais judaicos na igreja.

      Efésios

      Explicação do eterno propósito de Deus em Cristo e na igreja.

      Filipenses

      A alegria do evangelho e a gratidão de Paulo.

      Colossenses

      Uma heresia antiga refutada pela preeminência e suficiência de Cristo.

      1 Tessaloni-censes

      A segunda vinda de Cristo, a vida da igreja e o ministério de Paulo.

      2 Tessaloni-censes

      Exortação de continuar trabalhando até a volta de Cristo.

      1 Timóteo

      Carta de incentivo a um jovem pregador encarando dificuldades e falsos mestres.

      2 Timóteo

      Outra carta de incentivo a Timóteo logo antes da morte de Paulo.

      Tito

      Orientação para outro jovem pregador.

      Filemom

      Tentativa de reconciliar um escravo fugido, recém-convertido, ao seu amo cristão.

      Hebreus

      A superioridade de Cristo como sumo-sacerdote e do evangelho sobre o sistema do Velho Testamento.

      Tiago

      Instrução prática para a vida diária em Cristo.

      1 Pedro

      Vida santa face à perseguição crescente.

      2 Pedro

      Problema com falsos mestres na igreja.

      1 João

      Reafirmação da igreja enfretando a falsa doutrina do gnosticismo.

      2 João

      A importância de amar aos fiéis enquanto se opõe aos falsos mestres.

      3 João

      Carta pessoal de agradecimento.

      Judas

      Aviso contra falsos mestres.

      Apocalipse

      Condenação figurativa do império romano pela perseguição da igreja nos seus primeiros dias, e uma profecia da queda de Roma e do fim do mundo.

         

       

    7. Conclusão

O que é o cristianismo? Depois de tratar de uma variedade de tópicos, espera-se que a resposta fique clara. O cristianismo é a crença que Jesus de Nazaré é o Filho de Deus, o Cristo e o Senhor. É a convição de que a suprema revelação do amor e da vontade de Deus é encontrada nele. Ser cristão significa que você "conhece Cristo" e torna-se "como ele", até que Cristo "seja formado em você" e "vive" em você (Fl 3.10; Gl 2.20; 4.19; ver Ef 4.13). O cristão é aquele que "vive pela fé no Filho de Deus" (Gl 2.20). O conhecimento de Cristo é tão importante que tudo o mais no mundo é lixo em comparação (Fl 1.21; 3.7-9), porque Jesus Cristo é a única esperança para a salvação do mundo (At 4.12; Jo 14.6).

O significado de Jesus Cristo é bem resumido pelo escritor da carta aos Hebreus:

Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas, mas nestes últimos dias nos falou por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo. O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser, sustentando todas as coisas por sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, ele se assentou à direita da Majestade nas alturas (Hb 1.1-3).

O apóstolo Paulo também escreveu um resumo magistral de quem é Jesus:

Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, que é a igreja; tudo tenha a supremacia. Pois foi do agrado de Deus que nele habitasse toda a plenitude, e por meio dele reconciliasse consigo todas as coisas, tanto as que estão na terra quanto as que estão no céu, estabelecendo a paz pelo seu sangue derramado na cruz (Cl 1.15-20).

A pequena palavra grega dia é traduzida, geralmente, pela pela palavra "por". É usada freqüentemente para um agente, isto é, alguém ou algo que fica entre o alcance e o não-alcance de um objeto ou alvo. Note nas passagens seguintes como a graça, a verdade, a salvação, a vida, o perdão, a paz, a justificação, a justiça, a vitória sobre a morte e a reconciliação vêm todos "por" Jesus Cristo (Jo 1.17; 3.17; 10.9; 14.6; At 10.43; 13.38; 15.11; Rm 1;5; 5.1, 2, 9, 17-19, 21; 8.37; 1Co 15.57; 2Co 3.4; 5.18; Ef 1.5; 2.18; Fl 1.11; Cl 1.20; 1Ts 5.9; Hb 7.25; 1Jo 4.9).

O significado de Jesus é visto nos muitos nomes, títulos e termos descritivos que lhe são dados na Bíblia, entre os quais incluem Cristo (Mt 16.16), Deus (Jo 1.1; 20.28), Filho de Deus (Jo 3.16; 20.31; Rm 1.3), Emanuel (Mt 1.23), o Cordeiro de Deus (Jo 1.29), a luz do mundo (Jo 9.5), Salvador (Lc 2.11; Jo 4.42), a Palavra ou Verbo (Jo 1.1, 14), o Alfa e o Ômega (Ap 21.6), o bom pastor (Jo 10.11), o rei dos judeus (Mt 27.37), o Senhor (At 2.36), o Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap 19.16), o Senhor da glória (1Co 2.8), o Santo de Deus (Mc 1.24), a pedra angular (Ef 2.20), o fundamento (1Co 3.11), o Supremo Pastor (1Pe 5.4) e o Filho amado (Lc 3.22; 9.35).

Por essas razões, pleiteamos com o leitor para que creia em Jesus Cristo e obedeça à sua vontade. Você tem tudo a ganhar e nada a perder. Numa ocasião, várias pessoas abandonaram ao seguimento de Jesus. Ele virou aos discípulos que ficaram e lhes perguntou: "Vocês também não querem ir?" Simão Pedro respondeu: "Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna. Nós cremos e sabemos que és o Santo de Deus" (Jo 6.66-69). Por que foi escrito esse livro? Para usar as palavras de João, foi escrito "para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e, crendo, tenham vida em seu nome" (Jo 20.30-31).

www.000webhost.com